A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 09/08/2021

A série “La Casa de Papel”, exibida na Netflix, ao contextualizar cenas de um grupo que se organiza para invadir a casa da moeda na Espanha, retrata o grande valor do papel-moeda e até quando o dinheiro domina e controla a mente e o comportamento humano, uma vez que essas pessoas colocaram suas vidas em risco. Fora da ficção, ainda há entraves a serem superados quanto a importância da educação financeira. Nesse sentido, a ausência desse assunto nas instituições escolares e a fobia financeira que o indivíduo desenvolve psicologicamente geram a dificuldade de resolver os problemas monetários presentes na vida do cidadão.

Convém enfatizar, a princípio, que, no ambiente escolar, existe uma carência na abordagem básica, ou seja, aprender como lidar com o próprio dinheiro. Isso porque, a Base Nacional Comum Curricular não apresenta uma disciplina que aborde tal temática. Segundo Rubem Alves, educador brasileiro, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, em outros termos, podem proporcionar voos ou condições de alienação. Dessa forma, os colégios funcionam como gaiolas, pois permitem que os estudantes permaneçam desprovidos de informações pertinentes sobre a educação financeira, o que faz com que esse tabu sobre o dinheiro, enraizado no Brasil fiquei mais difícil de ser combatido.

Outrossim, vale ressaltar que a situação é corroborada pelos problemas psicológicos que as pessoas desenvolvem, de forma a criar um bloqueio para querer mexer com o seu próprio capital. De acordo com Itaú Unibanco juntamente com o jornal Datafolha, 46% dos brasileiros nem se incomodam em saber mais afundo sobre seus saldos monetários e é a partir dessa questão que o principal problema financeiro surge. Isso, aliado a ansiedade que é tomada pelo indivíduo em achar que não consegue organizar seu dinheiro de maneira racional , contribui para que esse problema persista atualmente.

Destarte, é evidente que a importância da educação financeira configura-se como um impasse que precisa ser resolvido. Logo, o Ministério da Educação-órgão responsável por políticas educacionais- deve iniciar a abordagem do ensino econômico nas escolas, por meio de uma alteração na BNCC, a qual insira uma disciplina específica ou inclua, nos demais meses do ano, palestras e simpósios, ministrados por especialistas, a fim de reduzir a fobia financeira e, assim, estimular a promoção do autoconhecimento. Ademais, compete ao Governo Federal, ampliar os investimentos em propagandas sobre aspectos financeiros, por intermédio de um projeto de lei aprovado pela câmara, para que assim a sociedade seja esimulada a saber mais sobre a questão monetária. Dessa maneira, haverá o aumento da autoconfiança e as pessoas conseguirão fazer escolhas melhores, diferentemente do grupo da série La Casa de Papel.