A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/08/2021

No filme “Delírios de Becky Bloom”, a personagem Becky é uma compradora compulsiva que, por intermédio da educação financeira, foi capaz de controlar seus gastos e pagar suas inúmeras contas de cartão de crédito. Fora da ficção, a instrução financeira se mostra essencial na vida dos brasileiros. Nesse sentido, é premente analisar sua contribuição no consumo consciente e na autonomia social.

Em primeira análise, é lícito postular como a educação financeira é importante para gerar a consciência de consumo. Nesse cenário, permitir o acesso social ao ensino monetário é garantir que as práticas de consumo sejam impulsionadas por decisões que tenham efeitos sociais, econômicos e ambientais positivos. Isto é, gerar nessas pessoas a reflexão sobre como aquele produto pode impactar a sociedade e os recursos naturais. Tal como Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da autonomia”, apresenta o poder da educação baseada na vida real como instrumento para garantir o discernimento nos alunos diante das exigências cotidianas, nesse caso, das escolhas de mercado. Desse modo, permitir o acesso da população brasileira a esse âmbito educacional se torna indispensável para a autoconfiança e lucidez desses.

Faz-se mister salientar, ainda, a importância da educação financeira na emancipação cidadã. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a educação é direito de todos e deve ser oferecido com o objetivo de contribuir para o pleno desenvolvimento da pessoa e o preparo dela para exercer a cidadania e função laboral. Nesse viés, diante da sociedade capitalista atual, as instituições de ensino devem promover meios para que a população seja capaz de gerenciar seu dinheiro. Como evidência do supracitado em seu livro “Gaiola e Asas”, Rubem Alves enfatiza que as escolas devem renunciar ao ensino tecnicista que prende os estudantes em conteúdos inflexíveis e fornecer a educação baseada na realidade, como forma de “dar asas” aos alunos e contribuir para sua vida na sociedade.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que impulsionem a promoção do saber financeiro. Logo, urge que o Ministério da Educação – órgão com relevância em assuntos educacionais-, por intermédio da maior parcela dos tributos populacionais, implante cursos de educação financeira nos Centros de Ensino Unificado (CEU´s), como forma de promover para a população nacional aulas sobre como administrar o dinheiro e, consequentemente, promover o consumo consciente e a autonomia desses. Desse modo, a população brasileira não refletirá a vida repleta de dívidas como a personagem Becky.