A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 12/08/2021

De acordo com o sociólogo francês do século XlX, Émile Durkheim, um fato social faz com que indivíduos inseridos na mesma sociedade, adotem comportamentos minimamente semelhantes entre si. Certamente, essa compreensão é ponto-chave no debate referente a importância da educação financeira na vida do cidadão, visto que a prolongada desconsideração desse tópico culminou em vários desafios enfrentados pelo povo brasileiro hodiernamente.

Primeiramente, deve-se reconhecer a eficácia da educação como agente propulsor de mudanças, sejam elas individuais ou coletivas. De fato, como afirmou o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Apesar disso, educar crianças e jovens financeiramente foi, por tempo demasiado, colocado em segundo plano. Aliás, uma clara evidência desse retardo consiste no fato de que a educação financeira passou a ser obrigatória nas escolas do Brasil apenas no ano de 2020. Assim, o descompasso citado, em conjunto do consumismo desenfreado e crescente nas sociedades contemporâneas, produzem resultados catastróficos a todo o corpo social.

Desse modo, um reflexo da juventude atual se faz presente no filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, que conta como Becky, a protagonista, se afundou em inúmeras dívidas após desenvolver uma séria compulsão direcionada ao consumo. De forma semelhante, muitos problemas como o endividamento progressivo de cidadãos brasileiros, assim como a falta de noções básicas acerca do mundo financeiro, poderiam ser evitados quando abordados com segurança e responsabilidade, pois impactam de forma direta na qualidade de vida desses indivíduos. Assim, mostra-se necessária a adoção de medidas resolutivas, tendo-se em mente a fala do filósofo polonês, Zygmunt Bauman, de que não são os problemas que mudam o mundo, e sim a reação a eles.

Portanto, para que se possa agir no sentido da conscientização e da instrução direcionadas ao planejamento financeiro, os governos municipais, por meio de subsídeos arrecadados com impostos pagos pela população, deverão promover e financiar debates em escolas para crianças e jovens, estendidos aos familiares desses, contando com a presença de profissionais especialistas que poderão promover o conhecimento, tirar dúvidas e incentivar o maior controle dos indivíduos sobre suas finanças. Só assim, o Brasil poderá recuperar o tempo perdido e agir em favor de uma sociedade mais equilibrada e consciente.