A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 24/08/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, assegura a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, a ausência de educação financeira dificulta a universalização desse direito social tão importante e fundamental para a melhor compreensão e controle em relação ao dinheiro. Diante dessa perspectiva, a falta de investimentos e de políticas públicas agravam a problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a escassez de capital como um problema. Sob esse viés, segundo a classificação global promovido pelo S&P Rating Services, responsável em medir o nível de educação financeira em 144 países, revelou que o Brasil está na 74° posição. Nessa lógica, a carência de investimentos nesse setor provoca o analfabetismo financeiro e leva o país a lidar com empecilhos sociais e coletivos. Desse modo, a inexistência de um ensino de finanças adequado acarreta consequências, como o endividamento, transtornos para as empresas e a produção de uma população adulta que não sabe utilizar o dinheiro. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, visto que conforme o mapa da Serasa, mais de 62 milhões de brasileiros são inadimplentes.
Ademais, é fundamental apontar a insuficiência de políticas públicas como impulsionador da questão. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir direitos indispensáveis como a educação. Nessa linha de raciocínio, observa-se uma negligência estatal em ensinar as crianças a relevância e o cuidado com o capital. Nesse sentido, o ensino financeiro encontra-se em falta na cultura da comunidade escolar e os educadores sentem dificuldade em ensinar essa temática aos alunos. Assim, esse serviço torna-se primordial para o progresso pleno de uma sociedade.
Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parcerias com educadores financeiros, fornecerem um projeto para desenvolver a didática financeira, por meio de verbas públicas, com o objetivo de ensinar sobre economia e finanças nas escolas, além de fornecer mentorias para os adultos que precisam de ajuda para otimizar o dinheiro de forma gratuita, a fim de valorizar a educação financeira na vida do cidadão brasileiro. Portanto, se consolidará uma sociedade mais abrangente, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.