A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 16/08/2021
O filme brasileiro “Até que a sorte nos separe” conta a história de uma família recém milionária graças a um bilhete de loteria que perde tudo devido a gastos desenfreados. Apesar de ficcional, a película retrata algo bastante comum na sociedade brasileira: a falta de conhecimento sobre a educação financeira e o endividamento dos indivíduos.
O Serviço de Proteção ao Crédito, popular SPC, mostra que só no ano de 2018, mais de 60 milhões de brasileiros estavam com o “nome sujo”, devido a dívidas que não foram pagas. Como os números mostram, isso é algo comum na população adulta do país, virando até piadas dentro do senso comum e música popular, como é o caso da canção ‘SPC’, do cantor Zeca Pagodinho.
Além da crise econômica enfrentada pelo Estado, as causas de uma população tão alienada econômicamente vem da educação. Hoje no Brasil, como em boa parte dos países emergentes ou subdesenvolvidos, enfrentamos uma educação bancária, como explica Paulo Freire, onde o aluno é visto como um depósito de conhecimento. O problema desse tipo de educação é que não possui caráter emancipatório, ou seja, esse tipo é empregado para garantir mão de obra padronizada, que não é capaz de exercer papel crítico na sociedade.
Em outros termos, uma educação padronizada gera indivíduos padronizados, copiando os aspectos positivos e negativos do mesmo ser e incorporando a outro, resultando em problemáticas em massa, como é o caso da situação financeira do Brasil: Um sistema educacional que não valoriza o ensinar de uma boa administração, transforma indivíduos que também não valorizam uma boa administração, culminando em um endividamento em massa por serem incapacitados de reger o seu orçamento.
Há portanto, duas saídas para esse problema, de curto e longo prazo, ambas encabeçadas pelo Governo Federal em conjunto com as Secretarias estaduais e municipais, e o Ministério da Educação. Para solucionar os problemas a curto prazo, iniciar uma campanha sobre educação financeira para a população já adulta, fornecendo palestras e cursos rápidos sobre uma boa gestão econômica e escapatórias de armadilhas para ficar com o nome sujo, fornecidas por meio do Ministério da Educação e Cultura. Há longo prazo, é imprescindível que seja adotado na base curricular nacional o planejamento financeiro, que aborde desde o 6° ano a importância de uma boa administração do dinheiro e ensine formas de gastar conscientemente, também encabeçada pelo MEC e a União.