A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/08/2021

“Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” é um filme que retrata a vida de uma jovem consumista que acaba se afundando em divídas, devido ao seu vicío em compras. Fora da tela, essa realidade também é presente no Brasil, principalmente na vida dos jovens, o que evidencia a importância da educação financeira na vida do cidadão. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a influência da mídia e a aspectos educacionais.

É importante ressaltar, diante dessa realidade, que os problemas financeiros estão conectados com o controle que a mídia exerce sobre as massas, principalmente sobre o consumo. Aliás, isso encontra respaldo no pensamento da Escola de Frankfurt, que critica a padronização dos bens de consumo, por meio da Indústria Cultural, que visa o aumento do consumo e consequentemente o lucro. Dessa forma, uma sociedade que é bombardeada por propagandas, apresentada aos mais diferentes produtos e que não possui um planejamento do seu dinheiro, acaba tendo como resultado problemas financeiros. Isso explica o por que  de cerca de 62,6 milhões de brasileiros terminaram 2018 com alguma conta atrasada e com o CPF negativado, segundo os dados do SPC. Assim, fica explicíto a necessidade dos brasileiros de terem uma base de educação financeira.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o papel das escolas no aprendizado sobre a importância de cuidar do seu próprio dinheiro. Segundo os estudos de Bauman em relação a educação, o sociólogo expõe que a escola cresceu de modo diferente do mundo para o qual deveria educar, isto é, a escola deve-se adequar as necessidades de uma sociedade moderna, onde se possa aprender conceitos e noçoes aplicavéis à realidade dos alunos. Logo, a educação financeira encontra destaque da necessidade de estar inserida dentro da grade curricular das instituições escolares. Ainda que atualmente exista a facilidade ao acesso à informação, material e cursos na internet, não é a maioria que aprendeu a lidar com sua renda. Por conseguinte,  aprender como lidar e investir dinheiro, torna-se de extremo valor.

Infere-se,  portanto,  que medidas fazem-se necessárias. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, criar um projeto para que Educação Financeira torne-se uma matéria obrigatória na BNCC ( Base Nacional Comum Curricular) -que aborde temas sobre poupança, juros, investimentos, consumismo e que esteja presente desde o ensino fundamental- por meio de investimentos públicos, a fim de tornar cidadãos capazes de administrar seu dinheiro e, consequentemente diminuir as taxas de endividamento. Com medidas como essa, esper-se que de fato, seja possível reverter o quadro atual de divídas no Brasil e formar  cidadãos mais conscientes.