A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 16/08/2021
O filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom Wood” retrata uma mulher que, por seu vício em consumo e por não saber administrar seu dinheiro, cria uma dívida considerável, vivendo sempre às esquivas das autoridades. Fora das telas, no Brasil, essa é uma realidade semelhante a de muitos brasileiros, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em 2018, 41% da população adulta fechou o ano com as contas atrasadas. Nesse sentido, é necessário a discussão a cerca da origem da má gestão monetária no país e da importância da educação financeira na vida do cidadão.
Diante desse cenário, cabe mencionar que, principalmente no sistema capitalista, o dinheiro tem papel central na sociedade, sendo ele o motivador para a maior parte das ações cotidianas do indivíduo, como o trabalho. Entretanto, grande parcela da população não tem acesso a educação financeira de qualidade, se tornando reféns dos processos produtivos elitizantes que ocorrem em torno dela. Nesse sentido, a teoria de Paulo Freire, da educação como um ato libertador, pode ser aplicada, pois, atualmente, como o acesso a informação sobre o mundo financeiro não é democratizado, a parte mais carente se torna excluída e ignorante. Esse processo desencadeia em um maior número de endividados, já que eles não sabem nem investir nem poupar, o que, somente por meio da educação, poderia ser mudado, retirando o estigma criado a cerca do dinheiro.
Outro ponto importante a ser considerado é o incentivo ao consumo como forma de acentuar ainda mais o endividamento de brasileiros. Sob a óptica da Escola de Frankfurt, a indústria cultural massifica as opiniões e objetifica o lucro, dessa forma, os individuos são hiperexpostos a propagandas, filmes, na mídias e meios de comunicações, que incentivam práticas consumistas. Logo, muitas vezes existe uma negligência do consumidor, que mesmo com educação monetária, continua gastando desnecessariamente e aumentando o saldo negativo.
Infere-se, portanto, que ações precisam ser tomadas, é dever do Ministério da Economia, juntamente ao Ministério da Educação - responsáveis pelo planejamento orçamentário e financeiro do país e por garantir acesso a educação de qualidade, respectivamente - realizar projetos de intervenção sobre educação financeira nas escolas, por meio da inserção de aulas com economistas, desde o Ensino Fundamental, de modo que desde pequenos, os alunos aprendam sobre o mercado monetário e como serem independentes financeiramente e a importância disso. Somente assim, uma geração mais autônoma e empreeendedora, buscando soluções para os problemas atuais, será formada, a educação financeira será valorizada e o índice de endividamento no país diminuirá.