A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/08/2021

A comédia brasileira “Até que a Sorte nos Separe” retrata a história do protagonista Tino, que ganha uma fortuna na loteria, mas o prêmio milionário acaba rapidamente e ele termina endividado. Fora da ficção, essa é uma realidade que se aproxima da brasileira, visto que, de acordo com o SPC, mais de 60 milhões de pessoas fecharam o ano de 2018 com o “nome sujo”. Diante desse cenário, é válido debater a importância da educação financeira na vida do cidadão para evitar problemas recorrentes, como o endividamento em massa da população, além do consumismo.

Sob essa óptica, não se pode negar o endividamento em massa dos brasileiros como consequência da carência de educação financeira. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), mais de 40% da população adulta se encontra endividada no Brasil. Nesse contexto, esse estudo mostra a gravidade da situação econômica que a sociedade se encontra. A partir disso, vale ressaltar que essa inadimplência corrobora o conceito de “habitus”, de Bourdieu, segundo o qual a naturalização de um fenômeno social ocorre em razão da continuidade e da regularidade de determinadas práticas sociais. Nesse sentido, esse pensamento mostra, por exemplo, que, devido à falta de educação monetária, o corpo social fica preso em um ciclo de dívidas até aprenderem a controlá-las. Dessa forma, faz-se mister que essa postura seja alterada.

Também merece destaque, nessa discussão, o consumismo ocasionado pela falta de educação financeira. Sob esse viés, vale afirmar que, sem uma disciplina monetária, o indivíduo gasta todo seu dinheiro descontroladamente, pois ele não possui direcionamento para controlá-lo. Nesse sentido, o cidadão não possui um limite de consumo e, com isso, é fulcral pontuar o conceito de Consumismo para Zygmunt Bauman. De acordo com o sociólogo, esse termo se refere àquilo que as pessoas buscam para se identificar, elas se identificam no que compram, mas não no que são. De fato, é perceptível que muitas pessoas compram para preencher uma falsa percepção de vazio que sentem com a falta de identidade, e como consequência disso, muitas vezes, acabam com muitas dívidas. Fica claro, enfim, a importância de uma instrução financeira de qualidade na vida dos cidadãos

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para alterar esse cenário. Assim, cabe ao Ministério da Educação – cuja função social é a manutenção e administração das políticas na educação no país - viabilizar aulas próprias para ensino financeiro tanto para pais, quanto para alunos, por intermédio de profissionais na área financeira, com a finalidade de evitar os problemas de endividamento e consumismo, por exemplo. Com medidas como essa, espera-se que tenhamos uma realidade distante de Tino retratada na obra brasileira “Até que a Sorte nos Separe”.