A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 16/08/2021
Sabe-se que a partir da Revolução Industrial e da consolidação do sistema capitalista, o dinheiro passa a ocupar lugar central na vida dos indivíduos, sendo imprescindível para a realização de atividades básicas - comprar alimentos e materiais de higiene, por exemplo - bem como para grandes aquisições - como imóveis e carros. Contudo, por mais fundamental que seja a boa relação com dinheiro na atualidade, é perceptível o crescente número de brasileiros que não conseguem se organizar financeiramente: no ano de 2018, 41% da população adulta teve o CPF negativado de acordo com estimativas do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Por isso, é válido comentar possíveis razões para tão alarmante dado, como também a importância da educação financeira nesse aspecto.
Segundo o filósofo francês Bourdieu, a sociedade tem forte tendência de normalizar condutas que seriam repreensíveis. Tal comportamento se concretiza com a normalização da falta de oportunidade de aprender, desde cedo, como construir uma boa relação com o dinheiro. O fato de não ser ensinado às crianças os assuntos que compreendem o tema - a exemplo de investimentos, poupança, juros e empréstimos - apenas as torna mais suscetíveis à inadimplência e às dívidas no futuro, além de serem fáceis vítimas para bancos e outras instituições de mesmo tipo. Assim, entende-se que não estimular uma mentalidade financeira saudável desde o princípio tem grandes consequências a longo prazo.
Diante desse cenário, é válido comentar acerca da necessidade da educação financeira precoce. De acordo com o sociólogo Bauman, a sociedade caminha em direção a um mundo cada vez mais volátil, no qual é praticamente impossível prever determinadas situações. Exemplo disso é a inesperada quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, que mergulhou a população mundial em uma grande crise econômica, a qual foi contornada por aqueles que melhor administraram sua renda. Logo, é urgente que os cidadãos estejam preparados para enfrentar qualquer problema e, seguindo a mentalidade capitalista vigente, a solução para quase todas as situações atuais passa pelo dinheiro. Dessa forma, é evidente que o Estado necessita, com prioridade, conceder meios para que os brasileiros aprendam como melhorar sua vida financeira, a fim de não serem pegos desprevenidos.
Portanto, faz-se imperioso discutir uma solução para a situação. Logo, o Governo Federal, deve, por meio do debate entre professores e especialistas da área da educação - por esses terem grande domínio acerca do tema-, inserir a educação financeira no currículo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a fim de tentar diminuir o número de brasileiros endividados futuramente. Somente assim, seria possível formar nos pequenos uma mentalidade financeira crítica e minimizar tal questão.