A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 30/08/2021
Na obra “Alegoria da Caverna de Platão”, o filósofo exemplifica que vivemos em um mundo de ilusões e que, na realidade, somos orientados para tais comportamentos. Paralelamente, nos dias atuais, a ausência de educação financeira na vida dos cidadãos se apresenta de forma análoga ao mito desenvolvido por Platão, uma vez que, na escuridão da ignorância, o ser humano não conquista autonomia e é manipulado de acordo com os interesses daqueles que detêm o poder. Nesse sentido, dois importantes aspectos se destacam: A consciência de classe desenvolvida com a introdução de tal disciplina na escola e como ela pode reduzir problemas ambientais.
Em primeira análise, é indeclinável que a tomada de consciência de classe pode ser atribuída ao prefácio da educação monetária durante a juventude. Nesse prisma, cabe elencar a obra “Operário em Construção”, de Vinícius de Moraes, a qual retrata um operário que passa por condições terríveis no ambiente de trabalho e só consegue começar a protestar por melhores conjunturas após uma epifania que o leva à consciência de sua situação social. Portanto, evidencia-se a importância da educação financeira quanto a mediar conflitos laborais que, até hoje, apresentam-se como um dos principais problemas da classe proletária.
Outrossim, urge citar que o ensino financeiro pode auxiliar a diminuir o consumismo e, em consequência, danos ambientais. Nesse quadro, pode-se ilustrar o livro “Vida para o consumo”, escrito pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, do qual denota-se que a vida, na modernidade líquida, apresenta o consumo como principal combustível, seja para se adequar a um grupo social ou por outros motivos. Esse consumo desenfreado é o principal catalisador para problemas relacionados à produção de lixo que, aliado a um descarte incorreto, manifesta-se de forma a ser um dos aspectos mais danosos ao meio ambiente. Sendo assim, explicita-se a importância de se introduzir a educação financeira no currículo de ensino das escolas brasileiras, uma vez que ela pode diminuir o consumismo e, consequentemente, a produção de lixo.
Perante o exposto, é evidente como a educação monetária pode amenizar problemas de conflitos de classe no ambiente de trabalho e, até mesmo, a questão da geração de escórias. Para a criação da consciência de classe na sociedade brasileira e diminuição do consumismo, o Ministério da Educação deve, por meio de verbas liberadas pelo Governo Federal, introduzir a educação financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de modo a detalhar o real poder de compra do cidadão brasileiro, amenizando dívidas e consumo desnecessário. Somente dessa maneira, será possível afastar-se dos cenários descritos por Platão e Bauman.