A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 31/08/2021
A trilogia de filmes “Até que a sorte nos separe” relata a história de Tino, um pai de família que ganhou cem milhões de reais na loteria, porém, devido ao consumismo exacerbado de toda a família, em poucos anos zerou as contas bancárias, além de gerar muitas dívidas, levando a família à falência. De maneira análoga à ficção, nota-se que, do mesmo modo como ocorreu com o protagonista, a ausência de educação financeira, atrelada à transmissão de modos entre familiares e ao consumismo, tem um impacto negativo na vida do cidadão brasileiro. Dessa maneira, deve-se analisar essas causas que corroboram a continuidade da problemática.
Diante desse contexto, é válido ressaltar a superficial aprendizagem dos pais em relação aos fatores econômicos, algo repassado posteriormente aos filhos. Nesse sentido, segundo Rousseau, filósofo suíço, “O homem é o produto do meio”. Seguindo a lógica rousseauniana, é notório que, pelo fato do jovem crescer repleto de menosprezo à educação financeira, futuramente, irá propagar tal ideia, desvalorizando cada vez mais esse processo educacional. Por conseguinte, cenários de endividamentos e descontrole de gastos passam a ser cada vez mais comuns na sociedade, evidenciando que, apesar das crescentes oportunidades de ensino, novas gerações se econtram enraizadas aos velhos costumes.
Ademais, observa-se que o consumismo, intensificado pelas escolhas sociais, inibe a inserção da educação financeira na sociedade. Posto isso, conforme Karl Marx, filósofo alemão, os valores e o ideológico estão subordinados ao valor econômico, tornando o mundo materialista. Sob tal ótica, é possível analisar que o materialismo emprega-se no dia a dia dos cidadãos que, consequentemente, tornam-se irracionais em relação aos gastos, visto que não se importam com as condições financeiras reais, mas sim em cessar o desejo de consumo constante. Assim, evidencia-se tanto as causas quanto as consequências, como a instabilidade econômica, reflexos da falta de educação financeira.
Infere-se, portanto, a necessidade de tomar medidas cabíveis para valorizar o papel da educação financeira na vida do cidadão. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela administração da educação do país, implementar a educação financeira à Base Nacional Comum Curricular, por meio de palestras e dinâmicas econômicas, a fim de maximizar a propagação do modelo financeiro saudável às novas gerações, além de educá-las desde cedo, buscando uma evolução positiva em relação ao cenário em questão. Feito isso, espera-se distanciar a sociedade do quadro exposto no filme “Até que a sorte nos separe”, impedindo que novos Tinos surjam na população brasileira.