A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 01/09/2021
No livro ‘‘A República’’, do filósofo Platão, o autor idealiza uma civilização na qual todos os indivíduos trabalham em busca da harmonia, ou seja, do bem comum. Infelizmente, o baixo domínio sobre educação financeira afasta o Brasil dessa sociedade utópica, uma vez que indíviduos não possuem acesso ao conhecimento para organizarem suas próprias finanças, o que provoca sérias consequências não só econômicas a eles, mas também psicológicas. Diante disso, é importante analisar os aspectos que envolvem essa questão no país para que se busquem formas de se resolverem esses impasses.
Sob tal ótica, vale lembrar que, inicialmente, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6, garante aos nativos direitos sociais, como a educação de qualidade. Contudo, o que se nota na contemporaneidade, é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a falta de medidas tomadas pelo Estado em prol do estímulo ao consumo consciente, controle de dívidas e organização dos gastos necessários e desnecessários - ensinos que deveriam iniciar nos primeiros anos de sala de aula do indivíduo. Não é de se estranhar, no entanto, que, de acordo com pesquisa realizada pelo jornal Estadao, 53% dos alunos brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de conhecimentos financeiros, atrás de países vizinhos como Chile (38%) e Peru (48%). Desse modo, fica evidente a efetivação desse direito constitucional, para evitar futuros malefícios à vida financeira e pessoal de inúmeros cidadãos.
Ademais, é mister salientar que o imediatismo é também responsável pelo descontrole da vida financeira de parte da população. Nessa perspectiva, revela-se a falta de administração financeira presente no cotidiano de indivíduos, que, ao verem determinada propaganda de algum produto, logo querem comprar, sem antes verem se sobrará dinheiro para pagar as contas básicas de casa. Dessa forma, no momento em que a pessoa passa a adquirir várias dívidas, sendo até despejada, surge diversos problemas: além da falta de dinheiro, há consequências como profunda depressão, ansiedade, dentre outros. Isso pode ser comprovado segundo uma pesquisa americana, da PFEEF, em que 29% das pessoas que têm problemas financeiros sofrem de ansiedade aguda.
Portanto, tendo em vista a problemática debatida, fica evidente que medidas devem ser tomadas. Cabe, então, ao Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação, por meio de palestras semanais nas escolas e universidades, além de campanhas nas redes sociais, promover a disseminação de conceitos básicos de educação financeira, como a importância do controle de gastos, investimento de parte do salário, consumo consciente e maneiras de economizar, a fim de evitar possíveis complicações pessoais e monetárias na vida de parte da população. Assim, será possível aproximar o Brasil da sociedade utópica proposta por Platão.