A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 31/08/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico de maior soberania no país, estabelece em seu artigo 6º o direito à educação como inerente à todo cidadão. Não obstante, os elevados números de inadimplência entre os cidadãos brasileiros, sua ineficiência em se tratando do planejamento econômico e a ignorância de milhares de índividuos acerca de procedimentoes padrões no controle financeiro básico de um cidadão ilustram que tal direito não se reverbera na prática. Dessa forma, dada a importância da educação financeira na vida do cidadão brasileiro, é imperativo que se avalie as causas deste problema.
Em primeira análise, a inserção da sociedade em um sistema capitalista tem com príncipio, de acordo com o filósofo alemão Karl Marx, a exploração da força de trabalho. Desse modo, a divisão societária em estratificações sociais e financeiras que reforçem as desiguaidades facilita a exploração inerente ao sistema econômico vigente. Tal exploração tem como principal base a ignorância dos cidadãos, uma vez que, para Diderot e Dalambert, iluministas e principais autores da “Enciclopédia”, a educação é fundamental no combate à alienação do indivíduo, podendo, assim, garantir sua efetiva liberdade.
Neste cenário, a negligência do Estado frente à educação do indivíduo ainda piora o problema. Seja pela ineficência ou pelo desinteresse da Instituição, os cidadãos brasileiros, lamentavelmente, não contam com quaisquer tipo de educação financeira nas escolas e formam-se sem acesso à conhecimentos fundamentais como o funcionamento da bolsa de valores, taxa Selic, inflação, cálculo de juros compostos e rendimentos proporcionais, tornando-se vuneráveis às praticas dúvidosas exercidas por diferentes empresas e índivíduos atuantes no mercado econômico. Dessa forma, o Estado passa a atuar como Instituição Zumbi em que, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, perde sua função social e passa a existir sem qualquer orientação ou objetivo, sinalizando uma quebra unilateral do Contrato Social proposto pelo filósofo e economista inglês, John Locke.
Diante do exposto, é imperativa a atuação governamental na reversão deste cenário. Assim, a atuação do Ministério da Educação mostra-se urgente, para, através da educação nas escolas e com a aplicação de palestras para a população adulta, universalizar o conhecimento no que se refere à educação financeira, formando, assim, índivíduos capazes de gerenciar as próprias finanças com organização e consciência e, dessa forma, combater os elevados números de inadimplência entre os cidadãos brasileiros, além de sua ineficiência em se tratando do planejamento econômico, atuando, então, na formação uma sociedade mais justa e igualitária.