A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 01/09/2021
O filme “Até que a Sorte nos Separe” conta a história de Tino, um homem que, por não ter sido capaz de gerenciar seu dinheiro, se encontra falido alguns anos após ganhar cem milhões de reais na loteria. O personagem é a representação caricata de um problema intrínseco da população brasileira: a falta de importância dada à educação financeira, quadro que contribui para a formação de indivíduos economicamente irresponsáveis. Nesse sentido, essa agrura social tem origem clara na falibilidade do modelo educacional brasileiro e contribui para alicerçar a cultura consumista.
A princípio, é válido destacar que o formato de educação tecnicista do Brasil aprofunda a inconsciência financeira dos cidadãos. Isso porque, na maioria das escolas, o foco do ensino é a construção de habilidades úteis à aprovação no vestibular ou ao mercado de trabalho, enquanto que a emancipação intelectual do sujeito é preterida. Desse modo, grande parte da população sai das instituições de ensino sem noções básicas de como administrar o próprio dinheiro, situação que pode gerar inconveniências na vida adulta. Esse panorama vai de encontro à Constituição Federal Brasileira, cujo texto propõe que a educação deve visar o pleno desenvolvimento da pessoa, já que muitos estudantes têm uma lacuna em sua formação no que diz respeito à educação financeira.
Ainda, essa carência no ensino contribui para a solidificação do consumo exagerado na sociedade. Esse cenário ocorre porque, no contexto capitalista atual, o consumo deixou de ser praticado em função da necessidade e passou a se dar em função do prazer, do status. Tal perspectiva é consoante com a descrita pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro “Vida para Consumo”: o ser humano vive em uma corrida constante para consumir e para ser consumido. Nessa lógica, a falta de orientação financeira expõe as pessoas à influência desse fenômeno, na medida em que as torna propensas ao tratamento negligente do próprio dinheiro, o que leva a gastos desnecessários e, em casos extremos, a quadros de endividamento que ameaçam a estabilidade monetária do indivíduo.
Sendo assim, é essencial a adoção de estratégias que visem instruir os cidadãos quanto ao bom gerenciamento de suas finanças. Portanto, o Ministério da Educação deve propor a inclusão da disciplina de Educação Financeira na Base Nacional Comum Curricular, com objetivo de instruir os estudantes quanto à administração monetária responsável, por meio da abordagem de tópicos como gestão de recursos e empreendedorismo. Ademais, o supracitado Ministério, em parceria com o Ministério da Economia, deve promover palestras on-line, com a presença de economistas, para exortar as pessoas quanto ao consumo responsável. Feito isso, será possível tratar a educação financeira com a devida importância, para que não hajam “Tinos” no Brasil.