A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 13/09/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a ausência da educação financeira na vida dos cidadãos representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Desse modo, faz-se imperiosa a análise da inoperância estatal e do falho sistema educacional, fatores que favorecem esse quadro.
A princípio, convém ressaltar a negligência do Poder Estatal frente a assegurar o conhecimento financeiro à população. A exemplo disso, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), cerca de 62,6 milhões de brasileiros fecharam 2018 com o nome sujo, ou seja, com alguma conta atrasada ou com o CPF negativado. Dessa forma, é evidente o fato de que o Estado, ao não concentrar esforços para efetivar a educação sobre o meio financeiro às pessoas, possibilita a manutenção e o aumento do índice supracitado, uma vez que, lamentavelmente, muitos brasileiros não aderem aos investimentos de capital e ao consumo consciente, fatores indispensáveis para que os indivíduos tenham uma situação econômica saudável. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do que ele denomina por “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever de assegurar aos indivíduos direitos imprescindíveis, como a educação. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no país.
Ademais, é pertinente ressaltar o falho sistema educacional brasileiro como impulsionador desse panorama. Nesse viés, o rapper Gabriel O Pensador, ao denunciar o modelo das escolas nacionais, em “Estudo Errado”, diz “Decorei toda a lição, não errei nenhuma questão, não aprendi nada de bom, mas tirei dez.” A partir disso, conclui-se que caso o aprendizado não promova os estudantes para o pleno da realidade na qual estão inseridos - instruindo-os sobre o mundo financeiro -, eles serão incapazes de tomar decisões que possibitem o desenvolvimento da sociedade, como realizar investimentos e consumir conscientemente. Logo, é inadmissível que essa realidade adversa continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse quadro deletério. Para isso, o Executivo, por meio do capital do Tribunal de Contas da União (TCU), deve intensificar investimentos na capacitação de professores para a educação financeira nas escolas, a fim de instruir os estudantes a realizar o planejamento das finanças, de modo que eles possam, quando possível, aplicar capital nas variadas opções existentes, como no Tesouro Direto. Isso reduzirá, a longo prazo, o índice supracitado de cidadãos com o nome sujo, uma vez que o Estado desempenhará corretamente o Contrato Social.