A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 22/09/2021

“Só a educação liberta”. Segundo o filósofo Epícteto, a educação tem uma importância vital na garantia da liberdade do Homem. No entanto, o que se observa no Brasil atual é o adverso do ideal de Epícteto, posto que a falta de conscientização dos recursos financeiros configura uma realidade nacional. Esse cenário antagônico é fruto tanto da insuficiência curricular nas escolas, quanto da forma que o corpo social enxerga o dinheiro.

Convém ressaltar, a princípio, que a continuidade de um padrão de ensino que visa apenas a memorização de fórmulas e conceitos, em detrimento do estímulo do senso crítico, agrava a problemática. Ademais, essa premissa vai de encontro com a concepção pedagógica do educador Paulo Freire. Isso porque, de acordo com Freire, o papel do educador é de não somente facilitar o acesso à informação, conquanto de estimular o raciocíonio do aluno para refletir sobre o mundo que a cerca, promovendo satisfação no processo de aprendizado. Sendo assim, a educação financeira deixa de ser monótona e ganha fins práticos. Tais fatos evidenciam não apenas a necessidade de urgência de mudança desse cenário, como também da falha governamental em reverter o desinteresse ligado ao ensino financeiro no país.

Outrossim, vale satientar que o modo como uma população consome, também pode ser apontado como um promotor da adversidade. Uma vez que, imersa em uma lógica capitalista, a sociedade passa a internalizar falsas necessidade de aquisição de produtos, sem questionar a necessidade útil do ato. Comprovando, dessa forma, o pensamento do sociólogo Herbet Marcuse, o qual afirma que em sociedades industriais, uma série de elementos, como comunicação, cultura e publicidade, obrigam as pessoas a fazerem parte do modo de produção e consumo. Por consequência, esse cenário favorece o endividamento coletivo, visto que o dinheiro é utilizado como fim para o consumo. Dessa feita, ressalva-se a importância da mudança de hábitos e conscientização sobre os recursos financeiros.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves ligados a educação monetária no país. Assim, cabe ao Ministério da Educação, promover uma melhor qualificação do corpo docente, de modo que nas universidades, seja ofertada uma maior carga horária para que os professores possam desenvolver métodos para incentivo do senso crítico e absorção dos alunos no processo de ensino-aprendizagem, além disso, levar em consideração uma reforma na Base Nacional Curricular, criando uma matéria fixa de educação financeira. Aliado a isso, é papel do Ministério da Economia, a promoção de palestras gratuitas, ministrados por economistas, visando a redução do consumo e melhor administração do capital financeiro da população.