A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 07/11/2021
A obra “O capital” -escrita pelo sociólogo Karl Marx- analisa de forma crítica o sistema político-econômico que rege a sociedade ocidental, o capitalismo, na qual o dinheiro é o equivalente universal e moeda de troca para tudo, dessa forma, a boa administração das economias pessoais é de fundamental importância. Tal obra mostra se distante da realidade contemporânea no tocante à falta de educação financeira na vida do cidadão. Esse panorama ocorre não só em razão da falta de educação financeira em ambientes educacionais, mas também pela ausência de condições concretas para prática dessa ciência. Desse modo, torna-se necessário a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a carência de uma educação financeira holística nas escolas brasileiras deriva da ineficiência do Poder Público no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Segundo o filósofo John Locke, o Estado foi criado através de um pacto social com o objetivo de assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos. Porém, é notório a quebra desse contrato no cenário brasileiro, visto que, a Base Nacional Comum Curricular, BNCC, não abrangia educação financeira até o início de 2020, o que, consequentemente, prejudicava jovens em sua formação cidadã. Assim, fica evidente a ineficiência da máquina pública na resolução dessa situação.
Além disso, a crise sanitária da pandemia da COVID-19 evidenciou a necessidade da educação financeira e a falta de condições concretas para a prática da mesma. Segundo dados da revista de economia FDR, mais de 70% das famílias brasileiras estão inadimplentes, desses, a maioria são jovens entre 18 e 24 anos os quais apresentam as maiores taxas de subutilização no mercado de trabalho, cerca de 40%. Tal realidade das condições laborais tornam a prática de economizar praticamente impossível, já que a renda mensal da maioria da população não é suficiente para quitar contas de necessidades básicas como aluguel, contas de energia e água, etc. Logo, é notório a necessidade de melhoria nas condições trabalhistas a qual melhorará a educação financeira dos cidadãos.
Infere-se, portanto, a mitigação dos entraves em prol da implementação da educação financeira na vida do cidadão. Assim, cabe ao congresso nacional, mediante ao argumento de percentual de investimentos, o qual será proporcionado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, LDO, ampliar os gastos com políticas públicas educacionais, as quais ensinará, desde a educação básica, a importância da boa gestão financeira pessoal. Além disso, é importante que investimentos em setores estratégicos de produção sejam realizados por parte do Ministério do Trabalho, com o objetivo de melhorar as condições trabalhistas, o que impactará positivamente a população. Dessa forma, poder-se-á concretizar as teses marxianas em nossa sociedade.