A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 23/09/2021

Segundo o filósofo e economista britânico Adam Smith, a livre circulação de dinheiro e mercadorias é essencial para a sociedade capitalista, fazendo com que se atribua enorme valor a ela. Na sociedade contemporânea, porém, contrapondo a visão do pensador, o uso ingente e irregular do dinheiro pelos indivíduos pode causar problemas financeiros, seja devido a ideias preconcebidas construídas pela desinformação, seja por conta da dificuldade em acessar necessidades básicas em um país cada vez mais desigual. À vista disso, no contexto da desigualdade social e monetária vigente no Brasil e no mundo, faz-se necessário analisar a importância e urgência do municiamento da Educação Financeira para todos.

Além disso, é fundamental pontuar que a educação financeira vai além da economia de renda, sendo também a consciência ao usar o dinheiro, tendo noção dos riscos e das prioridades, evitando dívidas. Assim, convém mencionar que de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de brasileiros endividados bateu recorde histórico, apresentando 71,4% do total dos consumidores.

Dessarte, nota-se que a lacuna no que concerne a gestão dos gastos pode causar problemas futuros, como ser surpreendido com a necessidade de comprar algo ou algum serviço e não ter o dinheiro suficiente. Ademais, é importante destacar outro fator que atrasa a educação financeira: as instituições de ensino. De acordo com o pedagogo português José Pacheco, não é aceitável um modelo educacional em que alunos do século XXI sejam ensinados por professores do século XX, com práticas do século XIX. Ou seja, enquanto os alunos vivem o século atual e possuem necessidades do tempo atual, como a educação financeira, as instituições continuam utilizando métodos de ensino ultrapassados e, assim, resultando em uma sociedade desatualizada.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para amenizar o quadro atual. Para tanto, unge que o Ministério da Educação em conjunto com Ministério da Economia, maximize os conhecimentos sobre tal tema entre todas as faixas etárias, por meio da implementação da matéria financeira na Base Comum Curricular e formando minicursos online acessíveis à toda a população. Tal inserção deve ser precedida de cursos de capacitação destinados aos professores do ensino público e privado, para que o processo seja feito de forma adequada a fim de construir um futuro menos desigual e mais consciente. Assim, por ventura, nessa via, a ideia de Adam Smith adaptar-se-á para uma redução das desigualdades financeiras.