A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 22/09/2021
O geógrafo Milton Campos acreditava que o pós-modernismo desencadeou diversos problemas sociais, entre eles, a desigualdade social e o desemprego. Nesse sentido, tais empecilhos poderiam ser amenizados no Brasil com a atuação de uma consistente e precoce educação financeira. No entanto, devido à inobservância estatal e ao desinteresse da população, o ato de aprender a administrar o próprio dinheiro não tem tido reconhecimento suficiente conforme uma nação globalizada demanda.
Em primeiro plano, a omissão do Estado é certificada pelo descumprimento da Carta Magna de 1988, visto que ela garante educação plena para os cidadãos. Ou seja, é dever da autoridade administrativa proporcionar o acesso à instrução financeira. Contudo, de acordo com o Instituto Locomotiva, apenas 53% da população tem conhecimento de administração de dinheiro, o que comprova a falha da ação estatal. Ademais, não há reconhecimento pelos representantes governamentais da educação de finanças como didática imprescindível para o desenvolvimento econômico do país, levando em consideração que apenas em 2020 foi incluída como obrigatória na matriz curricular das escolas brasileiras.
Além disso, enquanto a população não mudar a sua situação de descaso quanto à economia pessoal, não será possível reverter o cenário. Nesse viés, a filósofa francesa Simone de Beauvoir afirmou que o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles. Isto é, a maioria da sociedade permanece indiferente mesmo informada da importância de desenvolver a educação financeira no Brasil, logo, acostumou-se com a escassez de tal instrução. Ainda mais, de acordo com o jornal Gazeta do Povo, uma grande parcela de pessoas acredita que o pobre não pode investir e que administrar finanças apenas é possível para quem possui muito dinheiro. Por conseguinte, conclui-se que o conhecimento financeiro, mesmo no século atual, ainda é um tabu que precisa ser desmistificado e reconhecido pela população.
Portanto, sabe-se da necessidade em evoluir o pensamento quanto ao acesso à educação de finanças. Por isso, cabe ao Ministério da Educação contratar gestores financeiros, por meio de concursos públicos que ocorrerão anualmente, para dar palestra quinzenais em escolas e faculdades (locais onde há forte formação de opinião) nas quais ensinarão métodos práticos de poupar e investir, ainda que poucas quantias de dinheiro. Desse modo, a fim de inserir tais conhecimentos na vida do cidadão desde jovem, será possível amenizar vários problemas econômico-sociais.