A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/09/2021

Desde o final do século XVIII, período marcado pela eclosão da Revolução Francesa, a sociedade estamental europeia lidava com as consequências dos gastos exacerbados e descontrolados da alta nobreza- fato que denunciava os problemas no gerenciamento financeiro e administrativo da corte. Similarmente a essa epóca, no Brasil, os cidadãos brasileiros ainda apresentam dificuldades quanto a gestão do dinheiro pessoal e, muitas das vezes, acabam por tornarem-se inadimplentes consumidores. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só em razão da discrepância das desigualdades sociais, mas também pela falta de políticas públicas para o acesso à educação financeira.

Deve-se pontuar, de início, a influência das disparidades sociais no ingresso à rede educativa de finanças. Então, de maneira análoga ao pensamento do educador brasileiro Paulo Freire, a educação financeira é o caminho da liberdade e o despertar da criticidade, além de garantir autonomia social e consciência de classe. Entretanto, diferentemente do pensamento de Freire, as limitações sociais-desigualdades econômicas, marginalizações, condições precárias- impedem o acesso à educação e realizam a manutenção de consumidores economicamente despreparados, uma vez que o aprendizado da gestão financista é inacessível e pouco democrático.

Ressalta-se, ademais, a carência de políticas públicas como fator para a acessibilidade à educação financeira. Conforme o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, crítico da modernidade líquida, as instituições governamentais- configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-la a  todo custo. Nesse aspecto, definido como zumbis por Bauman, as ações e as medidas estatais acabam por falhar no que tange à democratização e inclusão da educação financeira nas escolas o que, consequentemente, acarreta em um descaso no amparo com substancial parcela da sociedade brasileira que não possui pleno acesso ao ensino do gerenciamento responsável do dinheiro.

Evidencia-se, portanto, a persistência de problemas estruturais na educação financeira dos cidadãos. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Educação- órgão de maior autoria e influência- promover cursos de educação financeira, por meio de investimentos públicos em polos educativos, com o objetivo democratizar o acesso ao aprendizado de gestão da finança pessoal. Além disso, deve introduzir bases do entendimento de sistema monetário nas escolas, por intermédio da incorporação da educação financeira nas disciplinas escolares dos alunos, com o intuito de formar futuros consumidores conscientes e aptos para administrar o dinheiro pessoal com responsabilidade. Feito isso, torna-se-á possível a construção de uma sociedade permeada de conhecimento financeiro provindo da democratização da redes de ensino e de estratégias públicas.