A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 05/10/2021

Em 1988, foi criado um dos mais importantes documentos da história do Brasil: a Constituição Federal, cujo conteúdo assegura o direito à educação e à renda. Entretanto, na atualidade, o brasileiro está longe de ter o que é garantido pela lei, evidenciado pelo pouco conhecimento no manejo do dinheiro, seja pela extrema desigualdade social de raíz histórica, seja pelo sistema educacional vigente no país. Diante disso, se torna necessária a introdução de uma educação financeira para a reforma da realidade.

À vista desse problema, desde o princípio da colonização brasileira, no século XVI, com foco em exploração de recursos e povos, a miséria e a injustiça são promovidas. De acordo com isso, o sociólogo Darcy Ribeiro afirmou que o Brasil foi construído de modo a continuar dividido em indivíduos superiores e inferiores. Nesse sentido, uma das consequências desse processo de perpetuação da desigualdade, na atualidade, é o endividamento como um fator histórico movido pela escassez de recursos, afinal, a inabilidade em lidar com dinheiro está diretamente relacionada à falta dele. Além disso, ao manter a lei que garante educação e renda apenas na esfera teórica, sem ser praticada, demonstra-se exatamente essa construção e perpetuação das disparidades sociais, ideia proposta por Ribeiro. Assim, uma educação financeira de qualidade e acessível, com a efetivação da lei, desconstruiria essas problemáticas enraízadas na história brasileira.

Ademais. vale destacar que o modelo de ensino vigente no Brasil baseia-se naquele desenvolvido na Revolução Industrial Inglesa do século XVIII, com a submissão sendo seu propósito através da uniformização do comportamento. Esse fato dialoga com os conceitos do filósofo francês Foucault, que expõe o processo, ao longo da história, de domesticação do indivíduo, inclusive nas escolas, para alcançar essa subserviência coletiva. Assim, na sociedade brasileira, os indivíduos submissos não tem conhecimento, autonomia e sucesso financeiros para que, então, possam continuar dependentes de seus empregadores, e, logo, inferiores. Antes, essa educação daria à população a emancipação e a luta por melhores condições de vida, levando a alteração desse cenário de miséria.

Fica clara, portanto, a importância do conhecimento financeiro na vida dos cidadãos para a mudança da realidade social brasileira de injustiças fincadas desde 1500. Para isso, devem ser desenvolvidos e ofertados gratuitamente, pelo Ministério da Educação, minicursos e palestras, de fácil acesso e ampla divulgação, apresentados por profissionais do planejamento econômico capazes de ensinar, àqueles que pouco tem, sobre um melhor manejo dos recurso econômicos e formas de obtê-los. Espera-se, com essas iniciativas,  praticar o que está garantido na legislação de 1988 e estar mais próximo de uma desconstrução da histórica desigualdade no Brasil.