A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 06/10/2021
Na obra ‘‘Brasil: uma biografia’’, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre essas características, aponta-se a ‘’tortuosa construção da cidadania’’. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Tal fato é evidenciado no âmbito das estruturas socioeducacionais como, por exemplo, a importância da educação financeira na vida do cidadão, tendo em vista que, apesar da educação ser um direito concernente aos brasileiros, isto ocorre, ora pela desigualdade social, ora pela má atuação do Estado.
Em primeira análise, é evidente que a herança ideológica do ensino democrático, como um recurso destinado apenas às elites, conservou-se na coletividade e na exclusão de classes inferiores. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção. Sob essa ótica, constata-se que o discurso hegemônico, na modernidade, molda o colonialismo em estruturas modernas sociais, fortificando o pensamento fundamentalmente europeu e segregador que restringe o acesso às bases sociais igualitárias e, consequentemente, inviabiliza o direito de uma digna educação financeira ao restante da população que, segundo a pesquisa do IBGE, indica que 55% do corpo social brasileiro não possui acesso à inclusão financeira.
Ademais, é válido destacar que displicência estatal potencializa esta problemática de um sistema falho em circundar as esferas sociais. De acordo com a Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, todos devem ter acesso à isonomia social. Entretanto, ao se analisar em copiosas ocorrências, segundo Zygmunt Bauman, na sua obra ‘‘Modernidade líquida’’, o Estado atua como uma ‘‘Instituição zumbi’’, ou seja, a sua forma existe e se perpetua, mas sem padrões e redirecionamentos, perdendo contato com as virtudes sociais. Dessa maneira, é importante salientar que a má atuação estatal provoca um falho acesso no planejamento socioeducacional e, como efeito, garante a condição de subcidadania ao restante da população.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem a importância do acesso e exercício à educação financeira como propulsora do desenvolvimento individual e nacional. Sob essa finalidade, urge que o MPF, por meio de ações judiciais avaliadas com prioridade pelo Poder Judiciário, deve assegurar as condições socioeconômicas, incentivando a democratização do exercício ao bem-estar e do acesso ao ensino igualitário. Assim, a iniciativa do MPF teria a finalidade de promover um país forte em bases afins.