A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 22/09/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante, em seu artigo 205, o direito à educação a todos os cidadãos. Entretanto, na prática, tal realidade é deturpada, tendo em vista que, no Brasil, há uma carência de políticas públicas de incentivo à formação de pessoas com inteligência financeira. Sob essa ótica, a omissão governamental e a metodologia de ensino fornecida nas escolas acabam por fomentar a problemática no território pátrio.
Diante desse cenário, é válido ressaltar que a negligência estatal é um dos fatores que colaboram para que a problemática siga intrínseca no país. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, na obra denominada “Leviatã”, é dever do Estado garantir o bem-estar da população. No entanto, é notório que, na conjuntura hodierna brasileira, a óptica de Hobbes não é efetivamente respeitada, já que escassez de recursos de destinados à educação, dificulta o processo de uma base curricular pautada de um ensino voltado para administração de recursos financeiros, o que seria imprescindível, pois, conforme o exposto na pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil ), mais de 60 milhões de indivíduos terminaram o ano de 2018 com o CPF negativado. Sendo assim, essa ineficácia influenciará diretamente para que os índices de pessoas com finanças negativas continuem a aumentar.
Além disso, a forma como o ensino é oferecido nas escolas também contribui para que o impasse persista. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, “ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Desse modo, percebe-se a importância de uma boa metodologia de ensino para a construção do cidadão brasileiro, pois o educador possui um importante papel - principalmente por ser o principal responsável pelo conteúdo ministrado em sala de aula e, com isso, ressalta-se que os assuntos os quais são ministrados em sala de aula, também precisam abordar as práticas de uma boa administração de finanças, todavia, esse fato não acontece, já que, muitas vezes, as pessoas gastam sem pensar e não investem o que ganham. Por conseguinte, é perceptível que os indivídos acabam fazendo uma administração ruim de seus capitais, colaborando para que a crise econômica se instaure com ainda mais agressividade no país.
Faz-se imprescindível, portanto, que o Ministério da Educação, principal órgão responsável pela educação do Brasil, por intermédio de investimentos do Governo Federal, crie o programa chamado “finanças saudáveis”, com isso, além da capacitação de educadores - que ressalte a importância de uma boa gestão financeira -, deverão ser destinados kites com mini jogos para crianças e adolescentes, com foco na boa gestão de capital, objetivando educar melhor financeiramente a população. Espera-se que, dessa forma, haja a garantia efetiva dos direitos constitucionais.