A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 24/09/2021

Na comédia brasileira “Até que a Sorte nos Separe”, é retratada a vida e as dificuldades de uma família que, alguns anos após ganharem na loteria, entram em falência devido ao gasto excessivo e desnecessário de seu dinheiro. Mesmo que de forma humorística, a longa traz à tona um tema que reflete a realidade da maioria dos brasileiros: a falta de educação financeira, problema que ultrapassa regiões e classes sociais.

Primeiramente, uma sociedade que possui um consumismo exacerbado é um dos motivos de se discutir a importância de uma educação financeira no país. Sob tal contexto, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade moderna vive sob o conceito de fluidez de mercado e o consumismo a crédito, o qual há uma urgência social na aceleração de consumo. Dessa forma, a importância de uma educação financeira coincide com a visão moderna proposta por Bauman, visto que há uma crescente velocidade na necessidade de compra. Alicerçado a isso, o consumismo exacerbado pode ser prejudicial à vida financeira dos indivíduos, uma vez que essa prática pode resultar em uma sociedade endividada.

Atualmente, mesmo que as novas tecnologias possibilitem adquirir informação de forma rápida e muitas vezes precisa, a crescente de canais online e sites que discutem e explicam sobre o tema não possui, ainda, expressão de mover a grande massa. Dados do Datafolha, em parceria com o Itaú, evidenciam a magnitude de tais problemas: 49% dos brasileiros apresentam insegurança ao pensar em dinheiro, pela falta de conhecimento sobre como poupar ou como investir o mesmo. Tal “fobia” é por muitos considerados hereditária, por ser consequência das raízes históricas de desigualdades sociais e economia.

Tendo em vista a precária consciência pecuniária da população, é de responsabilidade do Governo Federal investir em estratégias que foquem na melhor convivência do brasileiro com o dinheiro, com base em países que já obtiveram sucesso em tais ações. É dever do Ministério da Economia, juntamente com o Ministério da Educação, inserir a disciplina de Educação Financeira nas escolas, com a disponibilidade de professores economistas, para que crianças e jovens tenham, mesmo que de forma facultativa, acesso a conhecimentos sobre finanças, fazendo com que desde cedo o brasileiro adquira maturidade e independência econômica