A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 24/09/2021

Em 1929, o trágico “crack” da Bolsa de Valores de Nova York instaurou um caos, no qual o desemprego massivo e a miséria foram propulsores de diversas mazelas sociais, como a violência urbana e o suicídio. Contudo, no cerne daquele esteve o “American Way of Life”, isto é, o consumismo desenfreado enquanto símbolo do bem-estar. Avesso à historicidade, o imaginário social brasileiro ainda cultiva uma postura imediatista e irrefletida acerca do dinheiro. Isto posto, em face de uma educação exageradamente conteudista, a população carece de noções básicas de economia, o que torna o endividamento um fenômeno e retroalimenta um ciclo de miserabilidade.

A princípio, é indubitável que a sociedade brasileira perece em termos de gestão financeira devido, sobretudo, ao iletrismo financeiro que se associa à aquisição inconsequente de bens. Assim, o endividar-se ocupa lugar-comum na cultura nacional, todavia, o seu caráter nocivo dá-se, principalmente, sobre o corpo social mais pobre, cuja renda é consumida pelas dívidas, o que acentua sua vulnerabilidade. Nesse viés, Pitágoras versa que ao se educar as crianças, não será necessário castigar aos homens, haja vista que, o letramento acerca de finanças desde a mais tenra idade atenuaria uma desigualdade que é, por vezes, produto da desinformação. Fica claro, pois, a iminência do acesso à educação financeira nas escolas da nação.

Outrossim, cabe ressaltar que a problemática é também resultado de um arraigado modelo de educação tecnicista que inviabiliza uma formação cidadã e coerente com a vivência dos indivíduos. Desse modo, tanto os alunos, quanto os professores encontram-se despreparados para integrar a temática ao processo de ensino-aprendizagem. Sob essa ótica, Confúcio, filósofo chinês, discorre: “não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros.” Logo, não atribuir importância à educação financeira é persistir na errônea perpetuação de gerações sem autonomia sobre o próprio dinheiro. Por conseguinte, é imperativo que se rompa com métodos tradicionalistas e pouco inovadores.

À vista disso, compreende-se a significância do saber administrar, sabiamente, aquilo que se possui. Portanto, urge que o Ministério da Educação articule, para além da sua inclusão na Base Nacional Comum Curricular, a qual já foi efetivada, o seu alcance para uma ampla faixa etária, por meio da inserção do educar financeiro à Educação de Jovens e Adultos (EJA), bem como mediante o investimento para a capacitação de docentes das instituições públicas e privadas. Dessarte, o fomento à administração consciente não se restringirá aos jovens e poder-se-á estabelecer um aprendizado eficiente e interdisciplinar. Assim, será possível mitigar o ideal estadunidense de que a opulência e a qualidade de vida são sinônimas.