A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 02/10/2021
Em países subdesenvolvidos, como Chile e Argentina, o ensino de uma educação financeira é maestrado desde o ensino fundamental. O Brasil, entretanto, persiste em um sistema educativo arcaico que pouco prepara os cidadãos para problemas reais. Esse cenário nocivo ocorre não só devido a baixos investimentos educacionais, mas também em razão da ineficácia de políticas públicas a favor da emancipação autônoma do indivíduo.
Nesse sentido, é válido destacar os ínfimos investimentos na grade curricular brasileira como impasse a uma visão econômica abrangente. Nessa lógica, de acorco com o economista Mário Simonsen, a educação financeira é imprescindível para que se possa agir e pensar de forma clara sobre suas economias e evitar endividamentos a longo prazo. No entanto, observa-se que os brasileiros são privados de exercer de forma autônoma suas decisões econômicas, haja vista que eles não recebem uma visão financeira ao longo de seus estudos colegiais. Dessa forma, esse sistema obsoleto de ensino vai de encontro à educação modelo pensada pelo filósofo iluminista Immanuel Kant, o qual afirma que a escola deve preparar o cidadão para todos os aspectos de sua vida. Assim, nota-se que a liberdade individual é detida em função da falta de informação ao longo da vida de grande parte da população.
Além disso, é imprescindível salientar a incapacidade política para oferecer ferramentas, como campanhas publicitárias, que fomentem o desenvolvimento da soberania econômica do cidadão. Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, o Estado deve conduzir a sociedade de tal forma que diminua a tendência do desequilíbrio e aumente a prevalência do ser autônomo. À vista disso, pode-se observar que o indivíduo que não tem criticidade econômica, não age de maneira tão prudente como deveria, haja vista as altas taxas de brasileiros endividados, sendo submetido a juros hiperbólicos bancários. Dessa maneira, sua autonomia é prejudicada, facilitando, assim, a instabilidade financeira.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de sólidos investimentos, inserir à base curricular de todo o território, desde a mais tenra idade, aulas de noções financeiras, com o objetivo de formar cidadãos aptos a enfrentar problemas reais e críticos acerca da economia. Paralelamente, ele deve, por intermédio de campanhas publicitárias em TV aberta, fomentar a criticidade da população sobre uma vida financeira equilibrada, a fim de reduzir as taxas de endividamento. Assim, será possível a construção de uma nação mais autônoma e consciente.