A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 10/10/2021
Na série sul-coreana “Round 6”, o protagonista Seong encontra-se extremamente endividado devido ao seu gasto irresponsável em apostas, o que ocasiona a sua entrada em um jogo mortal que promete um grande prêmio ao seu vencedor. Em paralelo a ficção, a falta de educação financeira no Brasil configura grave problema na sociedade, uma vez que, muitos cidadãos, assim como Seong, encontram-se em uma situação financeira precária, o que os levam a optar pela busca de soluções não convencionais, e, muitas vezes, ilegais. Nesse contexto, destacam-se dois aspectos importantes: a má influência midiática e a ineficiência do Estado para conter o problema.
Em primeiro plano, cabe ressaltar o impacto da propaganda excessiva na vida financeira do brasileiro. Nesse sentido, o sociólogo norte-americano Richard Sennet afirma que, a lógica de consumo produzida pela ação combinada das empresas e da indústria cultural cria nos indivíduos uma subjetividade que redunda apenas em consumismo desenfreado. Assim, as diversas agências de publicidade irão se utilizar de diversas armadilhas mercadológicas para fazer o consumidor acreditar que precisa de determinado produto, fazendo-o adquirir em excesso aquilo que não precisa e nem pode custear. Desse modo, com essa visão fetichista acerca dos bens de consumo, o problema continua a se perpetuar.
Outrossim, é perceptível como a ineficácia do Estado em fornecer uma educação financeira para os cidadãos contribui para o agravamento do problema de endividamento. Sob esse viés, o cientista político James Quinn em sua teoria das janelas quebradas aponta que, se um problema não for corrigido ele tende a ser banalizado e se torna persistente, avançando para outros maiores. Dessa forma, o cidadão—muitas vezes ignorante sobre o modo de controlar suas finanças e não encontrando saída para seus problemas financeiros—recorre a atitudes ilegais porém banalizadas, para diminuir os impactos da falta de renda, tais como a utilização de “gatos” de energia e venda do seu voto, caracterizando, assim, a teoria das janelas quebradas.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da educação, a promoção de palestras em escolas públicas sobre formas de economizar e melhor aproveitar o dinheiro. Tais palestras devem ser ministradas por especialistas que devem fornecer cartilhas de fácil entendimento para o público que abordem maneiras de identificar as armadilhas do mercado que impulsionam o consumo. É imprescindível, também, que a cartilha apresente formas de renda alternativa e, por conseguinte, instigue o espírito empreendedor do leitor.