A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 06/10/2021
Segundo o IPEA, o Brasil está entre os 10 países mais desiguais em distribuição de renda no mundo. Nesse cenário de extrema desigualdade, a educação financeira ergue-se como uma ferramenta de fundamental importância para que os cidadãos sejam capazes de superar os abismos socioeconômicos existentes e o superendividamento. Com efeito, a efetiva instrução financeira da população brasileira requer o combate ao academicismo e ao consumo exacerbado.
Sob esse viés, a elitização da esfera econômica e administrativa impede que o acesso ao ensino acerca da gestão monetária se dê de forma democrática no país. Nesse sentido, Paulo Freire - grande educador brasileiro - defendeu que a educação deveria ser libertadora e capaz de promover a justiça social. No entanto, o academicismo que ainda permeia o universo da educação financeira no Brasil contraria o ideal preconizado por Freire, uma vez que segrega a população de menor nível de instrução ao manter discursos extremamente técnicos. Dessa forma, a carência de um ensino financeiro adaptado à população leiga impossibilita a ampliação do acesso à esse eixo educacional no Brasil.
Ademais, a educação financeira torna-se inviável quando o corpo social é submisso a uma cultura de consumo. A esse respeito, de acordo com pensadores da Escola de Frankfurt, a Indústria Cultural dita padrões de consumo exacerbados a fim de obter lucro. Dessa maneira, a população é submetida a um hábito de descontrole financeiro, no qual as palavras poupar e investir inexistem. Essa realidade é compatível a milhares de brasileiros que fazem má gestão de sua renda, comprometem seus orçamentos e contraem diversas dívidas durante a vida. Assim, enquanto a irresponsabilidade na administração de capital for a regra, a instrução financeira dos brasileiros será a exceção.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que a educação financeira seja efetivamente implementada entre os cidadãos brasileiros. Para isso, cabe ao Ministério da Educação promover projetos de democratização do acesso ao ensino de gestão financeira, através de palestras e workshops gratuitos que contenham linguagem simplificada e instruam a população acerca da criação de planilhas de gastos, de estratégias de poupança e de investimentos. Essa ação terá a finalidade de propiciar segurança econômica e melhores condições financeiras à população. Além disso, o Governo Federal deve veicular campanhas de incentivo ao consumo consciente e o controle de gastos, por meio das mídias de massa, para combater o consumismo exacerbado e criar no corpo social uma consciência propícia à educação financeira. Desse modo, os brasileiros poderão administrar melhor seus recursos, superando os abismos socioeconômicos e os grandes endividamentos.