A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/10/2021

Em 1929, os EUA viveram uma das mais graves crises da história: A Grande Depressão, que obrigou os norte americanos a desenvolverem consciência no manejo do dinheiro. Entretanto, o Brasil está distante de construir a educação financeira imposta pela Crise de 29, tendo em conta a inaptidão do brasileiro em lidar com suas finanças. Tal situação possui raízes na retrógrada eduação financeira básica e na inconsequente cultura brasileira de consumo.

Diante disso, a defasagem no sistema educacional representa um obstáculo na efetivação da educação financeira. Nesse sentido, o educador brasileiro Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da Autonomia”, faz uma descrição da maneira em que a educação básica pode tornar os indivíduos autônomos. Sob essa ótica, o sistema descrito na obra se mostra útopico, uma vez que na realidade,a educação é extremamente tecnicista, com o objetivo principal de preparar o indivíduo para vestibulares e não para a vida, a exemplo da precária instrução básica de como lidar com suas finanças. Logo, enquanto a mórbida educação financeira for regra, indivíduos autônomos financeiramente serão exceção.

Além disso, a irresponsável cultura consumista brasileira tem como fruto frequentes endividamentos. Nessa perspectiva, a obra ficcional coreana “Round 6” narra a história de Jhing Ho e diversas outras pessoas que devido seus endividamentos, entram em um jogo que põe em risco suas vidas com o próposito de quitar seus débitos. Nessa lógica, a cultura nacional de consumo incosciente -a exemplo do parcelamento múltiplo de produtos-, torna a população escrava de seus débitos impagáveis tal como Jhing Ho, o que impõe aos sujeitos decisões arriscadas que comprometam sua integridade, como jornadas de trabalhos exaustivas e solicitação de empréstimos. Dessa forma, não há como buscar o desenvolvimento do país, enquato tal cultura for vigente.

Portanto, a educação financeira precária e a cultura de consumo nacional são impasses na tradução de uma sociedade apta a lidar com suas finanças. Logo , cabe ao Ministério da Educação em união com o Ministério da Economia, à ampliação da base curricular do ensino financeiro básico, por meio da realização de aulas e palestras de letramento econômico com economistas especializados, realizadas em escolas e espaços públicos, haja vista a necessidade de atingir jovens e adultos, com o fito de instruir à manipulação de finanças e investimentos, além de alertar acerca das consequências do consumo inconsciente e de parcelamentos. Para que assim, o Brasil não necessite da situação passada pelos EUA em 1929, para que sua população seja autônoma e livre financeiramente.