A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 13/10/2021

No filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, a personagem principal sofre de consumismo compulsivo enquanto gasta todo o seu dinheiro sem pensar nas consequências, demonstrando falta de conhecimento financeiro. Não distante da ficção, a educação financeira tem se mostrado assunto necessário em relação à sociedade brasileira, na qual o cidadão sempre sofreu com questões relacionadas ao capital, fruto de questões históricas e sociais. A partir desse contexto, faz-se necessária a discussão dos fatores que influenciam esse quadro.

Nesse sentido, é evidente que o brasileiro nunca soube lidar com o dinheiro, pois nunca obteve acesso à renda. Isso descende do colonialismo brasileiro, no qual o trabalhador das lavouras recebia apenas o suficiente para sobreviver, não restando dinheiro para economias. Porém, tal problema persiste até os dias de hoje. Isso acontece, pois, segundo as ideias de Boaventura de Souza Santos, “o colonialismo ainda não acabou, apenas mudou de roupagem”. Logo, o trabalhador colonial apenas transformou-se no trabalhador contemporâneo, continuando a receber uma quantia escassa de salário, impossibilitando a aplicação em poupanças e investimentos. Desse modo, conclui-se a questão histórica acerca da manutenção financeira do cidadão.

Ademais, a educação brasileira possui poucos incentivos e investimentos, o que resulta no conhecimento escasso dos jovens acerca do assunto. Devido à condição histórica, o conhecimento financeiro apresentado pela família é extremamente raso, dando, assim, à escola a responsabilidade de introduzir e educar financeiramente o indivíduo. Tomando como base o pensamento do sociólogo brasileiro Florestan Fernandes, para quem o Estado possui o dever de garantir a educação, é crucial que as escolas devam atentar-se à qualidade de seu ensino e ter consciência de sua influência na formação do cidadão. Dessa forma, é notável a necessidade de uma atenção maior às consequências do ensino brasileiro.

Portanto, para ultrapassar esses obstáculos, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente a bancos nacionais, promovam palestras com economistas e consultores financeiros a professores e alunos de todo o Brasil, além do acréscimo de disciplinas voltadas à educação financeira na grade escolar. Tal ação será feita por meio de programas escolares, com a finalidade de promover a educação financeira a todo o país. Desse modo, será possível frear o desconhecimento em relação ao capital no Brasil, evitando casos como o retratado na personagem fictícia Becky Bloom.