A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/10/2021
Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgio no território canarinho. Impressionado com o potencial da nova casa, teceu uma obra literária intitulada “Brasil, país do futuro”, a qual aponta para a possibilidade de uma nação próspera nas próximas décadas. No entanto, quando se observa a questão da educação financeira na vida do cidadão brasileiro, nota-se que o ideário exposto por Stefan não saiu do papel. Com efeito, há de se analisar a negligência estatal e a desigualdade social na manutenção da problemática.
Diante desse cenário, cabe destacar a omissão estatal na persistência do problema. Sobre isso, Zygmunt Bauman - sociólogo polonês do século XX - elaborou o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual evidencia que o Estado perdeu sua função social, mas manteve - a qualquer custo - sua forma. Nesse sentido, o Poder Público brasileiro se enquandra na teoria de Bauman, tendo em vista seu papel passivo em ofertar palestras que discorram acerca do mercado financeiro, sobre empreeendimentos, bem como estratégias e métodos que auxilam no controle de gastos diários, essenciais na manutenção do bem-estar das famílias brasileiras. Assim, enquanto o problema denunciado por Bauman for a regra, a educação financeira será utópica no Brasil.
Ademais, cabe destacar o quão prejudicial é a desigualdade social na conservação do óbice. Nesse viés, Sergio Buarque de Holandra - célebre historiador brasileiro - na obra “Raízes do Brasil”, expôs que, desde o Periodo Colonial, o povo brasileiro convive com a exploração de um grupo dominante, o que provocou grande marginalização e pouco poderio econômico das classes populares. Consoante a isso, pode-se traçar um paralelo entre o fenômeno descrito por Sérgio e a questão da educação financeira, tendo em vista que grande parte da população convive com a extrema pobreza, o que torna a renda mensal mais direcionada aos recursos básicos à sobrevivência e limita a capacidade de investimento e controle das dívidas. Assim, nota-se que a extrema pobreza representa um dos porquês do problema.
Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais) na resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos - associação destinada à concepção de uma comunidade sem conflitos - deve pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, de modo a alertar sobre o atual cenário da rede pública de ensino, exigindo que as escolas ofereçam as três refeições básicas diárias, bem como materiais escolares de qualidade, tendo como finalidade promover uma diminuição das barreiras estabelecidas pela desigualdade social. A partir disso, faz-se mister a atuação do Ministério da Educação, que deve estabelecer a propagação de projetos pedagógicos sobre educação financeira, a fim de promover a massificação do tema na coletividade.