A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/10/2021
No livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, é retratado o cotidiano dos moradores da favela de Canindé e suas dificuldades de inclusão na sociedade. Nessa perspectiva, a narrativa foca na trajetória de Carolina, mulher negra e periférica, que se torna vítima da invisibilidade social devido sua cor e condição financeira. Fora da ficção, essa é uma realidade de grande parcela da população, visto que o advento da urbanização e a consequente segregação socioespacial possibilitaram a formação de outros meios excludentes, como a educação financeira. Dessa forma, tal paradigma reflete o cenário desafiador no País, seja pela falta de conhecimento sobre finananças, seja pela influência capitalista no planejamento financeiro.
Primeiramente, é notório a importância da educação financeira para que as pessoas adquiram hábitos de consumo, tomada de crédito e poupança mais saudáveis. Nessa perspectiva, consoante o Jornal do Comércio de Porto Alegre (2012), a falta de planejamento familiar é a principal causa do endividamento das famílias brasileiras. Desse modo, se as pessoas tivessem tido a oportunidade de aprender sobre educação financeira desde a infância, provavelmente o Brasil não teria uma taxa tão alta de endividamento, com isso requer mudanças culturais, possíveis de serem alcançadas, em consonância com as políticas públicas, educacionais, sociais e econômicas.
Outrossim, é evidente que o capitalismo contribui para a manutenção da ausência de educação financeira no País. Afinal, esse modelo produtivo hodierno promove apenas a satisfação monetária e a construção de uma coletividade com seus costumes fraturados. Segundo filósofo e sociólogo alemão Theodor Adorno, o capitalismo gera massificação e degradação da cultura e das relações sociais. Nesse viés ,a influência capitalista dificulta o desenvolvimento de um planejamento financeiro sólido, uma vez que permite a prosperidade do consumismo e fortalece a bolha sociocultural.
Infere-se, portanto, que são inúmero os desafios para a promoção a educação financeira no Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Educação em parceria com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), inserir educação financeira como carga obrigatória no ensino médio e/ou fundamental, por exemplo, na disciplina de história, com estudo do dinheiro e sua função na sociedade, da relação entre dinheiro e tempo, dos impostos em sociedades diversas, do consumo em diferentes momentos históricos, a fim de preparar o aluno para o mercado de trabalho. Ademais, compete ao Ministério da Economia promover palestras sobre finanças com especialistas e psicólogo em comunidades carentes por intermédio de verbas disponibilizadas pelo Governo, divulgando através dos meios midiáticos, a fim de desmitificar o medo de suas finanças e promover a satisfação e prosperidade financeira.