A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/10/2021
O educador Brasileiro Paulo Freire, em sua última obra “Pedagogia da Autonomia”, retrata a necessidade da quebra padronizada dos conteúdos e incentiva a introdução de ensino que fortaleça e forme a liberdade para as decisões prudentes dos estudantes. Com efeito, tais decisões são postas à prova em relação ao financeiro, que se mostra uma área negligenciada e problemática, evidenciando, pois, a importância da educação financeira na vida do cidadão, seja pelo consumo inconsciente de produtos, seja pelo estigma associado ao dinheiro.
Sob uma primeira análise, o advento do capitalismo em conjunto com o processo de globalização acelerada criou novas formas de relações sociais e individuais, que se configuram no consumo exarcebado. Nesse sentido, o conceito de Indústria Cultural, desenvolvido pelos filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer, ratifica o processo de industrialização e associa à generalização de uma sociedade consumista e alienada à um dano social de cunho lucrativo. Dessa forma, o indivíduo que não possui a mínima noção de como funciona o mercado, a propaganda e os meios de massa, além de contribuir fomentando a venda e a criação de produtos banais, se prejudica e tem o seu financeiro abalado nocivamente, muitas vezes, de forma acumulativa pela própria falta de consciência.
De outra parte, o dinheiro precisa deixar de ser visto como vilão e passar a ser visto como solução. Nesse viés, a nutricionista e empreendedora brasileira Lara Nesteruk, no seu Instagram, que é uma das suas plataformas de disseminação de conteúdo, relatou em um vídeo uma experiência vivenciada por ela, que por ter vindo de família de classe social baixa acreditava que ganhar dinheiro seria errado e tinha como crença de que o rico era mau e de que o pobre era bom, a ponto de referir-se ao pobre como humilde, sendo que, tais parâmetros arraigados socialmente não possuem e não garantem nenhuma evidência, pelo contrário, a “maldade” vista por muitos fornece segurança alimentar, saúde e moradia, como vivenciou Lara. Desse modo, a sociedade atual é exatamente essa, em que desde a infância, erroneamente, não se tem um ensino eficaz e direcionado, fazendo com que as mesmas cresçam e tenham problemas de administração, de zelo, frutos dessas crenças nocivas.
Para que seja dada a devida importância da educação financeira na vida do cidadão, portanto, faz-se necessário que o Governo Federal em parceria com o INEP, crie programas dispostos nas instituições de ensino fundamentais e médios, por meio de uma nova disciplina que trate o assunto de forma intuitiva, lúdica e prática, para que os estudantes possam ter um contato e uma relação saudável com o dinheiro. Essa iniciativa poderia de chamar “Saúde Financeira” e teria a finalidade de evitar problemas futuros e de praticar a autonomia prudente proposta por Freire.