A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 24/10/2021
Na série sul-coreana “Round 6”, 456 pessoas são selecionadas para competirem em um jogo mortal por um grande prêmio em dinheiro, unidas pelas altas dívidas contraídas e a impossibilidade de pagá-las. Assim, os organizadores abusam da vulnerabilidade de endividados para criar um espetáculo de entretenimento cruel e violento. Nesse sentido, a obra explicita uma grave problemática igualmente brasileira: a desvalorização da educação financeira e a falta de investimentos condena o futuro de milhares de jovens e adultos por todo o país.
Apriori, cabe ressaltar que parte da população ainda despreza a educação financeira e não tem ciência da sua importância para a sociedade. De acordo com os sociólogos da Escola de Frankfurt, a mídia utiliza a cultura como objeto voltado para obtenção de lucros. Nesse viés, o excessivo incentivo ao consumismo através de propagandas corrobora com a lógica de comprar produtos apenas por vaidade. Dessa forma, o indivíduo prefere negligenciar a educação financeira em prol de determinado bem de consumo que ele viu em algum veículo midiático. Além disso, cabe ressaltar que a educação financeira traz benefícios no consumo, investimento e rendimento do próprio dinheiro.
Ademais, além da desvalorização da educação financeira, a falta de investimentos também é uma problemática a ser analisada. Sob essa ótica, cabe ressaltar a frase de Arthur Lewis, economista britânico, na qual diz que “Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido”. Tendo isso em vista, espera-se das escolas a formação de cidadãos conscientes e preparados para a vida adulta, porém essa expectativa se estagna quando se observa a falta de investimentos no ensino financeiro nas escolas. Desse modo, as instituições são inoperantes quando se diz a respeito do desenvolvimento da consciência financeira do brasileiro para que o mesmo quebre os tabús associados ao dinheiro. Em síntese, torna-se claro a importância da educação financeira na vida do cidadão e fica evidente a necessidade de medidas que insiram tal ensino nas escolas.
Faz-se mister, portanto, que o Estado tome providências para potencializar o alcance da educação financeira e de suas contribuições para a comunidade. Destarte, para que a sociedade se torne mais consciente em relação às próprias finanças e que esse hábito seja incorporado desde cedo, urge que o Ministério da Educação, responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE), altere as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e implemente a educação financeira na grade curricular das escolas da rede pública e privada por intermédio de verbas governamentais. Dessa forma, espera-se que a realidade dos jogadores apresentados no enredo de “Round 6” distancie-se cada vez mais dos cidadãos brasileiros.