A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/10/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura aos cidadãos o direito à educação, cabendo ao Estado fazer uso de mecanismos promotores dessa máxima. Todavia, no que tange à educação financeira, o pressuposto estabelecido pela Carta Magna não é legitimado, visto que esse ensino é pouco desenvolvido, apesar da grande importância que detém. Tal fato é relevante, ora pelo consumismo crecente, ora pelo desemprego exacerbado.

Em verdade, a conjuntura atual é marcada pela sociedade do consumo, sendo que, quando esse é feito em excesso, fomenta o agravamento de problemas financeiros. Sob esse viés, após a Guerra Fria, embate ideológico entre os Estados Unidos e a União Soviética, com a vitória estadunidense, foi estabelecido como modelo hegemônico na economia, o capitalismo, caracterizado por seu estímulo ao consumo compulsório. Dessa forma, as propagandas e as publicidades tornaram-se formas eficientes de persuasão dos indivíduos a compra, feita, muitas vezes, sem nenhum planejamento econômico, o que gera uma série de endividamentos. Assim, não havendo como base uma educação financeira, essencialmente nas camadas mais pobres, ajudando as pessoas a coordenarem suas finanças, elas  ficam suscetíveis a transtornos psicossociais, a exemplo da depressão, devido à falta de poder de consumo e à preocupação gerada pelas dívidas.

Outrossim, o desemprego acentuado do país expõe a urgência de haver um ensino que auxilíe os cidadãos financeiramente. Nessa perspectiva, segundo o G1, site jornalístico, o Brasil possui, aproximadamente, 13 milhões de desempregados, uma quantidade imensa de pessoas que não têm renda fixa, seja pela crise financeira, seja pela baixa qualificação. Dessa maneira, surge os trabalhadores autônomos, em sua maioria vendedores ambulantes, que garantem pouco lucro, aumentando os índices de pobreza, pois conhecem pouco sobre empreendedorismo e finanças. Logo, sem medidas educativas que equipem a população para o mercado gradativamente mais dinâmico, a miséria, o desamparo social e a baixa renda continuarão pontos recorrentes.

Destarte, com o intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que o Governo, como agente na formação de recursos, torne obrigatório, desde o ensino infantil, a educação financeira, inserindo noções, ainda na infância, com a colaboração dos responsáveis, sobre como administrar seu próprio dinheiro, por meio de subsídios tributários e de um sistema simulatório educativo de mercado na escola, com fito de formar adultos menos consumistas e com maior conhecimento econômico. Ademais, é impreterível que seja disponibizado pelo Estado cursos de empreendedorismo e finanças gratuitos, a fim de atender a população vítima do ensino precário no que se refere ao financeiro.