A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/10/2021

A Finlândia- país da Europa que se destaca em índices educacionais- proporciona aos estudantes, desde os anos iniciais, sólidos conhecimentos acerca de finanças. No Brasil, contudo, o nível de formação econômica vai de encontro ao evidenciado na nação europeia, haja vista a deficitária educação financeira em vigor no país, que deveria ter importância na vida do cidadão brasileiro. Com efeito, configuram-se como principais causas do revés o método de ensino ultrapassado e o escasso estímulo da família.

Diante desse cenário, é oportuno pontuar que a defasagem na formação escolar possui íntima relação com o problema. Acerca disso, segundo o educador brasileiro Paulo Freire, o sistema educacional brasileiro é majoritariamente bancário, ou seja, pouco encoraja o pensamento indagador, é um ensino marcado pela passividade dos alunos. Sob essa lógica, substancial parcela das instituições de ensino ainda não inseriu técnicas de manipulação de capital nas grades curriculares, o que resulta na ineficaz instrução dos alunos quanto ao manuseio de dinheiro e, assim, frágeis conhecimentos econômicos, devido  ao método de ensino ultrapassado como previa Freire. Logo, é ilógico pensar que, em um país que se consagra desenvolvido, a educação financeira seja colocada em segundo plano pela escola.

Denuncia-se, outrossim, o agravamento do impasse por parte da inércia familiar. Nesse sentido, segundo Jean Piaget, psicólogo suiço, a família, assim como a escola, tem papel fundamental no processo cognitivo das crianças, de modo que a ela também cabe o dever de estimular o aprendizado. Todavia, de forma oposta à ideia de Piaget, a parentela, no século XXI, não estimula, de forma eficaz, os conhecimentos acerca das interações referentes ao dinheiro, dificultando a progressão intelectiva das crianças e dos adolescentes em relação às finanças. Dessa forma, enquanto o núcleo parental se mantiver omisso, a educação financeira não terá relevância em boa parte da sociedade brasileira.

Em suma, observa-se a necessidade de desbancar a deficitária educação financial no país Tupiniquim. Assim, o Ministério da Educação deve, por meio da reformulação na grade curricular implantar, nas escolas de cada município, uma disciplina voltada à aquisição  de saberes referentes ao preparo do aluno para a gestão do dinheiro. Essa via pedagógica deve contar com palestras abertas à comunidade, realizadas mensalmente, com a presença de consultores financeiros. Ademais, as redes de TV, com o intuito de engajar a família na questão, devem vincular, peças publicitárias sobre os riscos do consumismo e da falta de educação financial, como o endividamento. Desse modo, a educação financeira terá relevância no Brasil assim como na Finlândia.