A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 16/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, o que se observa é um panorama distante, uma vez que insipiência financeira é contrastante e dificulta a concretização das convicções de More. Sob tal ótica, destaca-se tanto a inadimplência governamental quanto o despreparo financeiro do brasileiro como contribuintes desse quadro antagônico. Logo, a busca de medidas a fim de cessar a permanência deste problema social no Brasil é fundamental.
Em primeira análise, é evidente que a ausência de educação econômica deriva da ineficácia do Estado no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tal ocorrência. Sob esse viés, Constituição Cidadã, de 1988, decretou como dever público garantir condições dignas no que concerne a vida social de qualidade e, sobretudo, ensino de excelência que, por sua vez, inclui educação financeira. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, haja vista que dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) apontam que nos últimos anos, mais de 60 milhões de brasileiro estão com o nome negativado. Conquanto, tal realidade nega prerrogativas constitucionais basilares e, consequentemente, diverge da teoria magna.
Ademais, é imperativo ressaltar o desconhecimento e consequente despreparo financeiro como importante causa de tal conjuntura. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características – e o maior conflito – da pós-modernidade. Ao passo que a parcela da população que detém de boas condições financeiras tende a ser incapaz de tolerar diferenças, esse problema assume contornos específicos no Brasil. Em vista disso, é indiscutível que o desconhecimento dos impactos práticos desse cenário instável induz ao negacionismo e ao sentimento apático, contribuindo com a perpetuação desse quadro contrastante à “Utopia” de More.
Destarte, é imprescindível que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar a perpetuação da insipiência financeira no Brasil. Cabe aos cidadãos repudiar a ausência de instituições de educação financeira no território brasileiro, por meio de debates nas mídias sociais, afim de demonstrar a urgência da resolução desse cenário. Ao Poder Executivo, por sua vez, compete direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Educação será revertido no investimento em educação financeira para todas as camadas da comunidade civil. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, a coletividade alcançará a “Utopia” de More.