A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/10/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa  a importância da educação financeira na vida do cidadão ,dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que se opoem a esse quadro, como a falta de carga horária escolar voltada para aulas relacionadas à administração monetária e a carência de conscientização sobre o uso do capital.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a deficiência de protagonismo das aulas de economia nas escolas brasileiras. Nesse sentido, verifica-se que, no atual calendário escolar as aulas de educação financeira não possuem muito espaço, esse fenômeno é responsável pela formação de adultos despreparados para o mercado de trabalho e pela indecisão da escolha de uma carreira de trabalho muitas vezes escolhendo aquelas que “dão mais dinheiro”. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que, infelizmente, é evidente no país.

Ademais,é fundamental apontar a carência de conscientização sobre o uso do capital como impulsionador da pobreza e do mal uso do dinheiro no Brasil. Segundo o levantamento feito pelo G1, um total de 46% dos brasileiros tem prejuízo financeiro por investimentos arriscados ou má administração monetária. Diante de tal exposto, é possível afirmar que esse fato é nocivo para a sociedade, pois a falta de conhecimento acerca da manipulação do capital potencializa o indíce de pobreza. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio de projetos de lei e campanhas informativas, aumente a carga horária da matéria de educação financeira e ofereça cursos públicos de gerenciamento monetário– ensinando a fazer investimentos inteligentes e de retorno seguro– a fim de aumentar o conhecimento acerca do capital e gerar maior estabilidade financeira. Assim, se consolidará uma sociedade mais equilibrada, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.