A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 28/10/2021

No livro “O Cortiço”, um romance de tese escrito pelo brasileiro Aluísio de Azevedo, a obra retrata, de modo crítico, a precária e incerta vida com que grande parcela da população carioca do século XIX é submetida, tendo que ocupar habitações coletivas insalubres. Deste modo, saindo da ficção, é possível assimilar a obra literária da época com a vigente sociedade brasileira, nas quais ambas desconhecem a importância da educação financeira na vida do cidadão. Logo, conclui-se que o irresponsável investimento financeiro no Brasil é fruto não apenas da atenuante segregação socioespacial cuja bagagem histórica é ignorada pelos governantes do país, mas também de uma formação educacional debilitada.

Primordialmente, é notório o tímido e débil esforço governamental a fim de combater a lacuna estatal presente que vigora entre os cidadãos desprovidos de conhecimento monetário. Visto que, de acordo com estimativas do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 41% do público maior de idade do país terminou 2018 com alguma conta inadimplente ou com o CPF negativado. Ou seja, quanto mais cedo a educação financeira for inserida no cotidiano do jovem brasileiro, maior será o retorno consciente de seus investimentos e, consequentemente, menor a possibilidade de exclusão social. .

Concomitantemente, ainda nesse contexto, a ausência de administração das finanças ocorre devido à alarmante indiferença governamental e social que permeia a comunidade menos abastada. Sendo assim, a carência educacional no ramo financeiro favorece a persistência de tamanha problemática, a julgar por mais de 50% da população brasileira sustentar-se somente com meio salário mínimo, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, a desorganização e ignorância na hora de investir representa um retardo social perante a um mundo movido pelo capital.

Por conseguinte, evidencia-se o descaso federal e social a respeito da importância da educação financeira no Brasil, somado à exclusão socioespacial - sequela do passado histórico do país -. Urge, portanto, que o combate a tal empecilho seja efetivado pelo Ministério da Educação ao introduzir na grade escolar,obrigatoriamente, uma matéria sobre economia, de modo que consiga ser abordada pelas outras frentes educacionais, como história e sociologia, por exemplo. Além disso, para incentivar a maioridade também, o governo federal deve disponibilizar cursos gratuitos mediados por profissionais - economistas e bancários - a fim de auxiliá-los ainda no modo correto de investir, ajudando-os a sair da inadimplência econômica.