A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 04/11/2021
A educação financeira fundamenta-se na capacidade de compreender os diversos sistemas financeiros e de alcançara segurança material presente e futura. Nesse sentido, a importância dessa habilidade centra-se na possibilidade de tomar decisões de forma consciente e de garantir o bem-estar. Contudo, no Brasil, a relevância da educação financeira é prejudicada por questões históricas e pelo imediatismo da modernidade.
Em primeiro lugar, precisa-se analisar a construção do pensamento financeiro brasileiro. A década de 1980 -chamada de ‘‘Década Perdida se analisada pelo viés econômico- caracterizou-se pela hiperinflação e pelas mudanças cambiais. Como resultado, a população convivia com o constante aumento de preços ao mesmo tempo que perdia a noção do valor da moeda. Dessa forma, o planejamento financeiro não era uma realidade, dada a imprevisibilidade do momento. Com o Plano Real, o país alcançou a estabilidade monetária, a alteração da visão financeira, porém, não fez parte da iniciativa estatal. O brasileiro, então, ainda possui um posicionamento financeiro anacrônico.
Além da falta de planejamento, a questão da educação financeira tem como obstáculo a modernidade imediatista. Segundo Zygmunt Bauman, a liquidez pode ser percebida no consumismo, visto que as rápidas transformações geram a crença de novas necessidades materiais e a obsolescência programada torna objetos em velhos de maneira acelerada. Diante dessa situação, muitas vezes, as pessoas preferem o prazer imediato da compra em detrimento do consumo consciente e alinhado à condição financeira. Como consequência, grande parte da população encontra-se endividada.
Fica evidente, portanto, a importância da educação financeira para romper com a perspectiva atrasada e com o cenário de endividamento dos cidadãos brasileiros. O Ministério da Educação, em conjunto com o Terceiro Setor, deve promover curso online de capacitação de professores para garantir que a educação financeira - disciplina obrigatória desde 2020- aborde a temática de modo prática, e não abstrata. Ademais, o Ministério da Economia, em parceria com empresas privadas, pode criar palestras de como administrar o próprio dinheiro nos locais de trabalho e disponibilizar materiais para download a fim de permitir um melhor consumo e um redução das dívidas. Com essas medidas, a educação financeira estará presente no cotidiano de jovens e adultos.