A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/11/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à falta de educação financeira. De acordo com os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, 61,5% das famílias brasileiras têm dívidas. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a carência de debate e a lenta mudança na mentalidade social.

Primeiramente, é preciso salientar que a falta de debate é uma causa latente do problema. Desse modo, o filósofo Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que o número de brasileiros endividados diminua, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, já que há pouca discussão nas escolas sobre as operações de mercado financeiro e como gerenciar o próprio dinheiro. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente desde a juventude contribuiria para a formação de cidadãos mais equilibrados financeiramente.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do ensino financeiro é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que muitos brasileiros acreditam que essa educação serve apenas para abordar assuntos complexos, como investimentos e fundos de reserva. Diante disso, nota-se que esse esteriótipo leva à diminuição da procura por conhecimentos financeiros e, consequentemente, aumenta o número de pessoas inadimplentes, realidade alarmante que dificulta o progresso social e econômico do país.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre o uso consciente dos recursos financeiros e as operações de mercado, bem como realçar a importância da educação financeira no cotidiano. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais especializados em educação financeira. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.