A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 03/11/2021
No filme brasileiro ‘‘Até que a sorte nos separe’’, é retratada a história da família Araújo Peixoto que, alguns anos após terem ganhado na loteria, acabam falidos por levarem uma vida de luxo e gastos excessivos. Não distante da ficção, essa é uma realidade enfrentada no Brasil: a falta de educação financeira, vinculada ao comportamento consumista e a insuficiência de políticas de segurança monetária, fomentam diversos problemas socioeconômicos para a população. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores, os efeitos e as possíveis medidas relacionadas e esse viés social.
Diante desse cenário, vale ressaltar a influência da mídia como um fator preponderante para a problemática em questão. Acerca disso, é pertinente citar o conceito de ‘‘Indústria Cultural’’ do sociólogo Theodor Adorno, no qual ele declara que os meios midiáticos são os responsáveis por manipular e impedir o consumo consciente dos indivíduos. Seguindo tal premissa, é possível associá-la a falta de educação financeira, tendo em vista que o conteúdo das propagandas persuasivas, faz com que as pessoas consumam inconscientemente, sem nenhum planejamento econômico. Dessa forma, a administração do dinheiro e a economia se tornam inviáveis.
Outrossim, é imperioso destacar as consequências desse problema. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo cidadão tem direito à educação e ao bem-estar. Embora o Brasil seja signatário desse documento, essas garantias são deturpadas no país, uma vez que o não oferecimento de educação financeira nas escolas corrobora futuros obstáculos para a estabilidade econômica, haja vista que a negligência pecuniária compromete a renda do indivíduo, levando-o ao endividamento e à insegurança social. Logo, é inadmissível que tal lacuna continue a perdurar.
Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para coibir esse entrave. Para tanto, cabe ao Governo Federal, por meio do Conselho de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), fiscalizar e impedir a divulgação de propagandas que incitam o consumismo. Junto a isso, é vital a inclusão da educação financeira na grade curricular das escolas, através de aulas que promovam uma relação responsável e consciente do brasileiro com o dinheiro. Tais ações teriam a finalidade de evitar gastos desnecessários e estimular o gerenciamento correto das finanças. Só então, será factível assegurar o controle monetário no país.