A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 04/11/2021

Na obra pré-modernista, “Triste Fim do Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. De literatura à realidade, contudo, ao observar a importância da educação financeira na vida do cidadão, -ainda que seja uma questão de grande valor- esse assunto possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relacionados a essa problemática, é importante analisar a negligência estatal e a importância da educação.

A priori, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis aos indivíduos, como a educação. No entanto, é evidente que tal prerrogativa não se reverbera no Brasil, pois de acordo com a Serasa, aproximadamente 60 milhões de brasileiros estão endividados, e 30 milhões superendividados, não conseguindo pagar suas obrigações financeiras, tais dados escancaram a fragilidade do país acerca desse âmbito, além de diminuir a qualidade de vida dessas pessoas. Assim, a ineficácia estatal fere os princípios propostos por Rawls, e ao mesmo tempo, dificulta que a sociedade use de maneira mais adequada o dinheiro.

Outrossim, aluda-se ao pensamento de Paulo Freire, “se a educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob essa perspectiva, elucida-se a necessidade da ensinança, em especial para o meio financeiro, é fundamental saber o limite de gastos, e como usar o dinheiro ao seu favor. Investidores usufruem desse conhecimento para lucrarem nas bolsas de valores, entender como funciona o capital, inflação e valorização são extremamente úteis, não só para quem investe, mas para os cidadãos em si. Desse modo, não é inesperado que o Brasil, -apesar de almejar formar-se nação desenvolvida- persista em não valorizar a ensinança de modo benevolente.

Dessarte, fica evidente que nem todos têm acesso à educação financeira. Logo, o Ministério da Educação, por meio de projetos, deve adicionar ao currículo escolar os ensinamentos acerca das finanças, e ao Ministério da Economia, pelas redes sociais, promover campanhas que visem conscientizar a população sobre os gastos e uso dos empréstimos, com a finalidade de que saibam usufruir melhor do dinheiro obtido, e atenuar as taxas de endividados. Em vista da concretização dessas ações, a sociedade se aproximará da idealização do Policarpo.