A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 30/10/2021

O filme norte-americano “Os delírios de consumo de Becky Bloom” denuncia uma realidade de endividamento e falta de consciência financeira vivida pela protagonista Rebecca. Não distante do universo cinematográfico, a carência da cultura monetária é uma situação presenciada hodiernamente por muitos brasileiros, que gastam sem planejamento e tornam-se inadimplentes. Essa problemática tem raízes, principalmente, culturais e ideológicas.

Segundo o sociológico Émile Durkheim, a sociedade pode ser definida como um “corpo biológico”, isto é, composta por partes que interagem entre si. Dessa forma, para ser efetivamente um organismo coeso e igualitário, é necessário que todos os cidadãos tenham acesso aos mesmos direitos. Nesse viés, a escassez da educação financeira, competência essencial para realização de sonhos e objetivos, torna-se um fator perpetuador para a desigualdade social no cenário brasileiro, visto que, oportunidades de investimentos e empreendedorismo, além de comportamentos para economizar dinheiro, ainda não são realizadas por boa parte dos habitantes de baixa renda.

Outrossim, é necessário salientar que, segundo o UOL, cerca de 40% da população adulta brasileira está com o “nome sujo”. Sob esse prisma, o ensino monetário deve ser aplicada já na infância, em virtude de, ao entrar em contato com essa desde cedo, as chances de transformar-se em um adulto organizado financeiramente são maiores — de acordo com o G1, a faixa etária mais jovem está cada vez menos inadimplente, enquanto nos indivíduos mais velhos ocorre o oposto. Ademais, evidencia-se que, pela falta de consciência nas compras e gastos, é criado um acúmulo de dívidas por diversos consumidores. Consequentemente, muitas pessoas recorrem a bancos para pedir empréstimos com o objetivo de pagar seus débitos e acabam endividando-se cada vez mais, gerando um efeito de bola de neve.

Destarte, é imperativo que sejam tomadas medidas para atenuar a problemática da carência de cultura financeira no Brasil. Para isso, é necessário que o governo, em autoridade do Ministério da Educação, crie um programa on-line de educação monetária, contendo dicas práticas para consumidores de pouca renda e com linguagem acessível, que será propagado por meio de mídias sociais e orçamentado através de verbas públicas, com o fito de influenciar positivamente os consumidores para a adoção de comportamentos pecuniários que sejam saudáveis e planejados. Somente assim, construir-se-á um Brasil em que exemplos como o de “Becky” sejam raros.