A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/11/2021

De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As Cidadanias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, isto é, na medida em que todos os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. De fato, a crítica é verificada na questão da importância da educação financeira no Brasil, pois embora a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegure, em seu artigo 6°, que todos os indivíduos devem ter acesso à educação, nota-se que tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, dificultando, deste modo, a universalização dessa concessão social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro caótico.

Sob esse viés, primordialmente, deve-se ressaltar aa ausência de medidas governamentais no que tange ao óbice. Nesse contexto, na obra " O Príncipe “, de Nicolau Maquiavel, é postulada a ideia de que, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. No entanto, percebe-se que no território nacional, há a recorrência de obstáculos que interrompem o desenvolvimento de políticas públicas acerca ao conhecimento financeiro no âmbito urbano brasileiro, já que o Estado - mesmo sendo responsável por prover instrução para a população - não cumpre o seu devido papel, resultando, por conseguinte, a escassez de investimentos ao ensino da administração monetária no país. Logo, para que tal adversidade seja intervencionada, o governo precisa urgentemente sair da inércia em que encontra-se.

Além disso, outro fator responsável pela permanência do impasse é o silenciamento presente na nação contemporânea. Nesse sentido, segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, o mais escandaloso dos escândalos é o fato de nos habituarmos a eles. Com essa abordagem, pode-se afirmar a falta de debate é nítida no que se refere à questão, visto que pouco se fala e, muitas vezes, não há repercussão sobre a crucial relevância da educação financeira nas escolas brasileiras, o que dificulta, consequentemente, a inclusão desse conhecimento no ensino primário escolar. Destarte, urge tirar essa situação da invisibilidade e agir sobre ela.

Depreende-se, portanto, a necessidade de atuar sobre esse obstáculo. Para isso, o poder público, com o suporte do Ministério da Educação, deve criar um projeto educacional no que corresponde ao conhecimento de gerenciamento monetário, por intermédio de uma ampla inclusão na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) das instituições brasileiras, a partir de palestras e debates entre professores e alunos, a fim de informar a todos os principiantes no que se diz respeito à administração de renda nas escolas do Brasil e combater a falta de debate em pauta no ensino primário. Somente assim, se consolidará uma sociedade mais efetiva, conforme Milton Santos.