A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 08/11/2021

O sistema capitalista, calcado em uma intensa desigualdade econômica, é responsável por inúmeros conflitos sociais. O acúmulo de dívidas e problemas financeiros, por exemplo, faz parte da realidade de muitos brasileiros que sem instrução para lidar com a situação perdem, gradativamente, seu poder aquisitivo. Com isso, destaca-se o papel da educação financeira, essencial na vida do brasileiro, seja pela elevada taxa de inadimplentes do país, seja pelo seu potencial transformador.

A partir dessa análise, cabe pontuar o papel do Estado entre as causas do problema. De acordo com o filósofo John Rawls, um governo ético investe em educação a fim de mitigar, a longo prazo, a desigual distribuição de renda e oportunidades na sociedade. Contudo, percebe-se que, no Brasil, as autoridades políticas destoam do ideal exposto, haja vista que a atual grade curricular não aborda educação financeira com instruções para lidar com dinheiro ou situações de crise. Como consequência, muitos de jovens, sobretudo de classes mais vulneráveis, tornam-se inadimplentes ao entrarem na vida adulta, tendo que adiar planos e expectativas por dificuldades econômicas.

Ademais, destaca-se o impacto da educação financeira na autonomia do cidadão. Segundo Max Weber, ação social é uma conduta que, condicionada pelo contexto histórico, também influencia coletivamente o meio em que se insere. Nessa perspectiva, a educação financeira pode ser encaixada na teoria do sociólogo, uma vez que é fomentada por um cenário nacional com elevado número de endividados. No entanto, se eficientemente aplicada, é capaz de aliviar as finanças domésticas familiares já a curto prazo, uma vez que a disciplina contempla, para além da gestão do dinheiro, mecanismos de economia e alternativas de renda.

Entende-se, portanto, que a importância da educação financeira ao cidadão brasileiro deve-se à má gestão econômica pessoal e à necessidade de conter o número de inadimplentes do país. A fim de atenuar o impasse, o Ministério da Educação (MEC), órgão responsável pela regulamentação da educação nacional, pode, por meio de projetos sistêmicos, incentivar escolas e seus respectivos corpos docentes, a integrar disciplinas diversas no estudo financeiro, além de incluir pais e responsáveis em debates e palestras, com vistas a uma ampla compreensão da disciplina e orientação dos interessados em regular a situação econômica familiar. Dessa forma, com base na teoria rawlsiana, a educação financeira trará perspectivas promissoras ao país.