A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 09/11/2021
Segundo Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, a transformação do “status quo”, ou seja, do estado das coisas, é uma missão árdua. Nessa perspectiva, pode-se traçar um paralelo com a realidade brasileira, na qual observam-se entraves em relação à mudança do negligenciamento da educação financeira, fator fundamental na vida dos indivíduos. Tal conjuntura é reflexo da inefetividade do ensino vigente do país e da omissão familiar. Diante desse cenário, é conveniente a análise de tal problemática.
Em primeira análise, é necessário evidenciar as lacunas na educação como um dos motivadores do problema. Sob esse viés, Paulo Freire, educador brasileiro, pontua que o sistema de ensino nacional não estimula o pensamento indagador. Nesse contexto, as escolas, ao priorizarem apenas o ensino técnico-científico, não desenvolvem a criticidade do indivíduo, impedindo-o de conscientizar-se sobre a importância do planejamento econômico. Tal quadro colabora para o provável endividamento de parcela da população ao longo da vida devido à falta de conhecimentos financeiros. Assim, nota-se a urgência de reformas na base de ensino para que o problema seja superado.
Em segunda análise, é importante salientar, também, a displicência familiar como outro fator precursor da problemática. Sob essa ótica, o pensador Émile Durkheim afirma que a família, como primeira instituição social, tem papel fundamental na formação do comportamento do indivíduo. No entanto, essa protagonização parental mostra-se falha ao negligenciar a educação financeira, especialmente quando o meio familiar não aborda as consequências do uso irresponsável do dinheiro, ou ensinando aos mais jovens sobre o gerenciamento do capital. Dessa forma, percebe-se a solução para maior valorização do ensino financeiro perpassa o maior protagonismo da família.
Portanto, é imprescindível intervir sobre esse quadro. Para isso, cabe ao Ministério da educação, órgão encarregado pelo progresso do ensino nacional, inserir a educação financeira na grade de educacional. Isso deve ser realizado por meio de palestras informacionais que abordem, por exemplo, a importância do uso responsável do dinheiro ou as formas de investimento monetário, a fim de diminuir as taxas de endividamento de indivíduos ao longo da vida. A partir dessas ações será possível melhoar a atual realidade da nação.