A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 06/11/2021
O drama norte-coreano “Round 6”, da Netflix, coloca em destaque o personagem Gi-Hun, um dos vários cidadãos que passam por conflitos ao adquirirem divídas com bancos e agiotas. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pela série se assemelha ao cenário brasileiro contemporâneo, em que apesar da importância da educação financeira, parte do corpo social está endividado, situação que deriva da manipulação midiática. Dessa maneira, entre os princípios que sustentam essa realidade, destaca-se a valorização do consumo e ausência de comunicação financeira acessível.
Em primeira análise, torna-se evidente que o consumismo aprofunda a falta de relevância de educação financeira no Brasil. Esse cenário advém claramente da conduta unicamente mercadológica dos veículos midiáticos, que induzem uma cultura de consumo, visto que as empresas de comunicação se norteiam por uma visão econômica ao direcionar seus conteúdos à população, legitimando bens de consumo como forma de identidade social. Essa reflexão pode ser confirmada pela afirmação do jornalista brasileiro Caco Barcelos, para quem “A culpa não é de quem não sabe, é de quem não informa”, já que a cultura consumista pela mídia distancia da coletividade a falta de importância da educação financeira.
Além disso, observa-se como a ausência de comunicação financeira acessível alicerça a desvalorização da educação econômica no país. Essa situação surge da omissão estatal, pois, parte expressiva da população não obteve acesso a esse modelo de ensino durante a vida, tornando-se alienada e suscetível a manipulaçâo por não alcançar informações adequadas. Tem-se como consequência disso o endividamento de adultos e idosos, grupo mais afetado devido a escassez de informação. Ilustra-se essa vicissitude, a partir de um dado preocupante do SPC Brasil, o qual informa que quase metade dos brasileiros estavam endividados até o ano de 2017.
Mediante o exposto, percebe-se como a falta de importância da educação financeira se agrava na manipulação midiática. Para combater esses empecilhos, é necessário que o governo federal atue por meio de um Plano Nacional em Incentivo à Educação Financeira que, a partir do CONAR regule as propagandas midiáticas, a fim de reduzir o incentivo ao consumismo e induzir as melhores práticas econômicas. Ademais, ainda nesse plano, o Ministério da Comunicação deve atuar implementando programas de econômia acessível, através de canais diversos de comunicação por profissionais capacitados, a fim de disseminar conhecimento e reduzir os níveis de endividamento no Brasil.