A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 03/11/2021

Tema: “A importância e os desafios da oferta de educação financeira nas escolas brasileiras”

A “Teoria do Habitus” de Pierre Bourdieu afirma que a sociedade tende a naturalizar e reproduzir comportamentos de uma época. Partindo dessa premissa, o incremento da educação financeira ao currículo escolar tende a legitimar positivamente essa “teoria”. Não obstante, historicamente no Brasil, o uso racional dos recursos financeiros foi relegado, seja pela carência de políticas assertivas do Estado, seja pela falta de planejamento orçamentário das pessoas. Logo, medidas e atitudes precisam ser efetivadas como forma de mitigar essa problemática no Brasil.

Impende ressaltar, sob a ótica do pacto social de Thomas Robbes, que o Estado existe para proteger e assegurar o bem comum aos cidadãos. Contudo, é flagrante a quebra desse contrato social, na medida em que esse ente negligencia o fomento à população quanto a controles financeiros. Esse contexto de inoperância das esferas de poder é uma das razões para um crescente contingente populacional sucumbir diante do marketing e do crédito fácil. Destarte, diante do firmemente estabelecido sistema “compre, compre, compre”, é imperativo que o corpo social saia do estado inercial e cobre políticas assertivas que firmem a escola como instrumento de estímulo ao equilíbrio financeiro, para fazer jus ao ideal de Hobbes.

Paralelamente à falta do Estado em exercer o seu papel, é igualmente preciso apontar a escassez de organização financeira individual como outro fator que contribui para a manutenção do descontrole monetário. Posto isso, uma pesquisa do SPC Brasil revelou que 47% das pessoas da chamada Geração Z, que tem hoje entre dezoito e vinte e cinco anos, não fazem controle de seus gastos. Sob tal aspecto, é relevante destacar que esse desequilíbrio gera um custo social, como o despreparo para lidar com reveses financeiros. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

A fim de desconstruir esse cenário negativo, faz-se crucial garantir educação financeira no ensino básico. Dessarte, visando criar uma mentalidade adequada e saudável em relação ao dinheiro, é preciso que o Estado, no papel dos Ministérios da Educação e do Planejamento e Gestão, valide sua função inerente, por intermédio da inserção dessa disciplina no currículo e, por conseguinte, no projeto político pedagógico da escola. Isso requer formação continuada dos profissionais da educação, reflexões e discussões em grupos de estudos, seminários e oficinas sobre essa temática. Nesse ínterim, pode-se conjugar a essa política campanhas de sensibilização nas escolas e mídias, em parceria com o Ministério do Planejamento, com foco no papel da escola na formação integral dos jovens. A partir de ações como essas, espera-se que a projeção retratada por Bourdieu saia do plano teórico para o prático