A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 14/11/2021

Na obra literária “Ensaio Sobre a Cegueira”, Saramago versa sobre uma cegueira branca que, rapidamente, acomete toda a sociedade. Tal doença pode ser utilizada como alegoria para criticar o descaso e invisibilidade social acerca de alguns problemas, como por exemplo: os impactos causados pela ausência de educação financeira, esses que se apresentam tanto no desenvolvimento de transtornos mentais, como, também, na dificuldade de planejamento financeiro. Dessa forma, cabe avaliar os fatores que desfavorecem essa educação necessária.

Primeiramente, é o agravante aumento de transtornos mentais em consequência de problemas financeiros. Segundo especialistas do Indicador de Saúde Financeira, cerca de 23% da população brasileira apresenta sintomas de ansiedade gerados pela situação econômica. Isso posto, a saúde mental é afetada pela ausência de uma educação financeira eficiente, uma vez que essa possibilitaria melhor controle e manutenção financeira, evitando o estresse e transtornos advindos de problemas econômicos. Desse modo, urge medidas que possam assegurar não apenas a educação, mas, também, o bem estar do cidadão.

Faz-se mister, ainda, salientar que essa educação se mostra importante para o planejamento financeiro do indivíduo. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é produto de sua educação. Nesse contexto, a ausência desse direcionamento impossibilita a criação de senso de responsabilidade financeira e de planejamento pessoal, causando efeitos negativos ao decorrer de sua vida, como a criação de dívidas e sensação de irrealização em suas metas pessoais.

Destarte, a importância dessa disciplina atenua-se diante a possibilidade da melhora de bem estar do cidadão brasileiro. Dessa maneira, políticas são necessárias para garantir o progresso desse cenário. Cabe ao Ministério da Educação, portanto, a união com escolas, para a criação de palestras e aulas de educação financeira na grade escolar, de forma obrigatória a partir do ensino médio, por meio de debates e rodas de conversa com a participação de profissionais habilitados no assunto e professores, visando, de forma didática, a criação de uma responsabilidade financeira entre os jovens, podendo, assim, garantir um futuro com adultos engajados e seguros acerca de suas escolhas financeiras, além de assegurar sua saúde mental. Com essas medidas, espera-se que o Brasil atual não reproduza a cegueira social de Saramago.